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segunda-feira, janeiro 16, 2006

Castelos no Ar ( II Parte )

Parou num semáforo vermelho que teimava em manter o tom e, apesar de nenhum carro estar ao alcance da vista, recusou-se a atravessar a passadeira, ao contrário de todos aqueles que seguiam no mesmo sentido. Notou o ar espantado dos que o viam ali parado a respeitar o sinal e sentiu o convite dos seus olhares para que com eles caminhasse em desrespeito à sinalização, mas continuou indiferente na sua imobilidade expectante do verde permissivo.
Sorriu, não para si, mas para o pai que o obrigara a decorar, ainda mal aprendera a juntar as letras, o "Cântico Negro " de José Régio, com aqueles versos que o haveriam de acompanhar por toda a vida "Vem por aqui, dizem alguns com o olhar seguro de que seria bom que os ouvisse quando dizem vem por aqui....há nos meus olhos ironias e cansaços/E nunca vou por ali...". Que Deus o conservasse a seu lado, já que entendeu, tão cedo, levá-lo para junto d'Ele.
O semáforo, entretanto, havia desistido da sua arrogância, porque só assim poderia entender a sua insistência em manter a cor, quando nada justificava que o fizesse, permitindo-lhe que continuasse o seu caminhar sem destino.
Atravessou a passadeira com uma passada carregada de altivez, própria de quem acabara de vencer uma batalha contra um poder ignorante. Com desprezo, mesmo.
Lembrou-se de novo dela. Do sorriso que ela punha quando o via tomar atitudes destas, de como as compreendia e aceitava.
Havia-a voltado a ver um ou dois meses depois daquela reunião, quando, também por ironia do destino, se cruzaram num qualquer restaurante. Cumprimentaram-se com uma ligeira troca de olhos e um sorriso cúmplice, sem que um e outro tenham interrompido a conversa que estavam a ter com o respectivo acompanhante.
Viu-a sair primeiro, despedindo-se de forma idêntica à da chegada e pela primeira vez sentiu-lhe a falta.
Logo então decidiu que no dia seguinte ali iria, à mesma hora, mas só. Apenas para a ver. E foi.
Viu-a entrar e caminhar com a passada segura que já lhe conhecia, também só. Viu-a olhar para as mesas vazias em redor, embora pudesse garantir que o sabia ali. Quando o fez já era inevitável o convite para que se sentasse na sua mesa, dada a evidência das circunstâncias.
Aceitou com a naturalidade de quem já sabia há muito que o ia fazer, o convite e o almoço a dois nesse dia.
Começaram com um sorriso e a conversa teve a naturalidade que ambos sabiam ir ter, como se amigos há muito fossem. Com o segundo café chegou também a sensação que estavam sós, o que confirmaram com um breve olhar em redor que lhes mostrou uma sala vazia com um empregado ao fundo ansiando por lhes apresentar a conta.
Saíram para a rua e começaram a caminhar sem saberem para onde iam, apenas com vontade de continuarem a conversar. Tinham descoberto que se riam das mesmas coisas, que pensavam da mesma forma e isso tornava a separação difícil.
Foi aquando da indecisão quanto ao destino que se destinaram um ao outro. Nada lhes pareceu melhor que isso nesse momento, embora só o tenham dito com o silêncio da ausência de resposta perante a interrogação do caminho que seguiam.
Sem mais palavras decidiram que assim seria. E sem mais delongas assim foi.
Durante meses almoçaram sempre juntos, sem que alguma vez o tivessem combinado. Jantaram também algumas vezes, essas sim antecipadamente marcadas, que outras vidas a tanto obrigavam.
Um dia deixaram-no de o fazer, porque ela não apareceu e ele soube logo que nunca mais almoçariam.
Um ano havia passado desde então e apenas tinha sabido dela por um ou outro telefonema trocado entre eles para saberem um do outro. Apenas isso e mais nada.
Caminhava há horas e nem se apercebera que estava de novo perto de casa. Resolveu subir e esperar que o resto dia corresse depressa.
Aquele telefonema de ontem à noite havia-o apanhado de surpresa.
Ela apenas havia dito que podia jantar com ele.
Iam jantar hoje.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Castelos no Ar ( I Parte)

Amanhecera mais cedo do que o costume naquele dia.
Ainda não eram 4 horas da madrugada e acordara sem que para que tal encontrasse qualquer justificação e, por mais que se esforçasse, o sono não havia maneira de prosseguir o seu percurso.
Já haviam decorrido duas horas, dando voltas e mais voltas na cama, procurando a posição que mais agradasse àquele que tardava em encontrar, mas todas lhe eram indiferentes.
O rádio que tinha na mesa de cabeceira e que, inadvertidamente, tinha ficado ligado durante a noite, a cada meia hora, repetia as notícias já gastas da véspera, revestidas com outra roupagem de forma a aparentarem serem as últimas novidades matinais. Sempre a mesma coisa.
Decidiu levantar-se e começar o dia mais cedo. Tal como o amanhecer havia feito com ele.
Enquanto se escanhoava e se olhava ao espelho, por dever do ofício que tinha entre mãos, interrogou-se sobre a razão que o teria levado a acordar tão cedo, mas não vislumbrando qualquer razão plausível, com um simples trejeito de lábios, arrumou definitivamente esse assunto no arquivo morto da sua memória.
O que não tem explicação explicado está, se não merece consideração. Esta última parte do ditame popular havia ele acrescentado um dia em que, também sem qualquer motivo, resolveu avaliar aquela expressão da sabedoria popular.
Saíu para a rua estava o dia a clarear e entrou na primeira pastelaria que viu aberta para tomar o primeiro dos muitos cafés que diariamente bebia, mas que era o mais importante por ser aquele que afastava, em definitivo, a nebulosidade do seu racicíonio até então ainda meio entorpecido.
Na posse de todas as suas faculdades, ciente da inexistência de horários a cumprir, resolveu fazer o que mais gostava. Andar por andar, sem rota e sem rumo. Caminhar com destino a nenhures, como se respondia quando calhava interrogar-se mentalmentalmente sobre o lugar que buscava.
Sorriu-se quando se apercebeu que de tantos diálogos que tinha consigo mesmo, já não conseguia passar sem eles. Aliás, habituara-se a eles de tal forma que os preferia a quase todos os outros.
Sim, porque com ela era diferente. Com ela falava com ele e também com ela, numa relação a dois que também era a três. Diria mesmo que era a quatro, porque sentia que ela também era assim, o que tornava os diálogos que tinham numa verdadeira discussão a quatro vozes, das quais só duas se ouviam.
Haviam-se conhecido por mero acaso, num qualquer lugar onde ele havia trabalhado.
Reparou nela pela primeira vez numa reunião sobre um qualquer assunto que já nem recorda. Lembra-se sim do seu ar tranquilo, da beleza do seu rosto, dos seus olhos verdes que ninguém fitavam e a todos abarcavam sempre que queria. Recorda-se, como se tivesse sido hoje da sua postura altiva durante a mesma, presente e distante, sombreando a lápis, alternadamente, as quadrículas de uma folha. Quase sempre de olhos fixos no castelo imaginário que quase que ia jurar ela estava a construir.
Nunca lhe saíu da memória o sorriso contido que lhe aflorou os lábios e o olhar discreto que não viu, mas sentiu vindo dela, quando, instado a falar sobre o tema em discussão, explicou que estava ali para ouvir e pensar no que os presentes tinham a dizer sobre a questão e não para falar, mas que sempre ia adiantando que da primeira hora e meia de reunião pouco lhe tinha ficado.
Lembra-se de a ter visto sair discretamente no fim da reunião, despedindo-se de todos com um ligeiro cerrar de pálpebras, que parecia uma eternidade a quem a fixava, privado que ficava da visão do verde deslumbrante dos seus olhos.
Na ocasião quase que teria jurado que a ele, propositadamente, não o privou desse privilégio, mantendo os olhos abertos e fixos nos dele por uma breve fracção de segundos.
Sabe agora que assim foi.
(continua)

terça-feira, janeiro 10, 2006

E Não Se Riem

Se há coisa que não sou é curioso. Nem sou isso nem tenho por hábito meter a foice em seara alheia.
Esses são comportamentos que me desagradam e dos quais, felizmente, nunca fui acusado.
Sei, no entanto, que a curiosidade é fundamental para a descoberta de novos mundos e novas coisas, como também sei que muitas vantagens se podem extrair do facto de se conhecer a vida alheia, mas sou assim e pronto.
Definitivamente nunca serei cientista nem agente dos serviços secretos. Com grande pesar meu, desde já assumo, no que à impossibilidade de vir a ser um 007 se refere.
E acho curioso que, vá-se lá saber porque razão, as mulheres sejam as principais visadas quando se exemplifica alguém que peca por excesso de curiosidade ou de invasão da privacidade terceiros.
Quando se quer criticar um homem por ser "cusca" ou por andar a informar-se sobre a vida de outrém a expressão é sempre a mesma :" Pareces uma mulher! ".
O curioso é que tanto a dizem homens como mulheres, sempre a dirigindo, como é óbvio, ao interlocutor masculino.
Eu tenho cá para mim que alguma razão haverá para a unanimidade na sua utilização e estou em crer que se trata de mais um estratagema em que as mulheres são peritas.
E nós os "patos".
É que, tanto quanto me é dado ver, aquilo que para mim é defeito, mas para outros nem tanto, não tem prevalência de sexo, verificando-se tanto em homens como em mulheres.
Aliás, estou em crer que, actualmente, tais defeitos ou virtudes, tanto dá, pertencem mais aos homens que às mulheres.
Eles é que estão sempre a querer saber tudo, sobretudo delas.
Fazem-no com o maior descaramento, sujeitando-as a verdadeiros interrogatórios.
Já elas, mais discretas, não se preocupam em saber logo, mas em irem sabendo. Devagarinho, para saborearem a informação.
Sendo que, se percebem que pouco lhes interessa quem do outro lado está também pouco ou nada querem saber.
O que só abona a favor delas, porque não perdem tempo desnecessário.
Ora se assim é, parece-me que quem cusca é e quem se mete na vida alheia são os homens e não as mulheres, pelo que a expressão a utilizar deveria ser " pareces um homem " e só dirigida às mulheres.
Claro que elas, inteligentemente, como sempre acontece, nessa matéria sujeitam-se a serem gozadas, passando pelo que não são e criando no sexo oposto a falsa ideia que só se preocupam com coisas fúteis.
Nós homens, perante tal reconhecimento de inferioridade mental por parte daquelas que pretendemos subjugar ao nosso domínio, de tão vaidosos que ficamos, nem nos apercebemos que da falsa generosidade feminina.
E colocamos o nosso ar mais sério, adequado a quem não pactua com futilidades, aproveitando então para perguntar, com ar circunspecto, se fulana já se divorciou e se é verdade que anda com beltrano.
O curioso é que elas até respondem sem se rirem.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

A Apregoada Inveja Feminina

O meu amigo" MineteReal ", num dos seus últimos "posts ", suscitou a questão das diversas reacções de mulheres e de homens perante a ida ao cabeleireiro de uma amiga ou amigo.
Com tal exposição, cujo rigor e mérito não posso deixar aqui de louvar, parece evidente que a mulher é, por norma, um ser invejoso quanto às do seu sexo, apesar de utilizar uma linguagem que indicia o oposto, enquanto o homem, em regra, se mostra sempre de elevado companheirismo, apesar de se expressar de forma antagónica.
Tenho como bom para mim, que o meu querido amigo não andará longe da verdade, no que às mulheres diz respeito, mas já tenho dúvidas quanto ao que dos homens dali parece poder inferir-se.
O que acontece é que toda aquela prosápia que os homens utilizam e que, num primeiro momento, demonstra uma elevada camaradagem, não é mais que mero folclore linguístico e por sinal de elevado mau gosto.
A diferença está na forma e não no conteúdo.
As mulheres só têm esse tipo de conversa "falsa" com aquelas que não lhes inspiram confiança - quase todas as do seu sexo, diga-se - mas a quem , por diplomacia, não ignoram.
Já os homens têm esse tipo de discurso com aqueles que consideram como camaradas, porque se alguma suspeita tiverem sobre o indivíduo em questão, o paleio passa a ser outro e pouco diferente do das mulheres. É mais do tipo:
"Então como vai o meu querido amigo? Vem do barbeiro? Está com bom ar e cada vez mais novo....", e por aí fora.
Serve isto por dizer que sendo verdade tudo o que aquele meu amigo diz, os destinatários são diferentes, sendo que nessa matéria, o homens que são mais crédulos que as mulheres, utilizam mais vezes a linguagem de "irmão de armas", o que faz com que, muitas vezes, o destinatário do chorrilho de asneiras que acaba de cortar o cabelo, seja quem faz a tosquia em casa de quem tais impropérios profere.
Já a mulher, mais cautelosa, utiliza sempre a ironia com muita diplomacia, não deixando de desvalorizar a interlocutora como medida cautelar.
A mulher não corre o risco de ser atraiçoada pela amiga em quem confiou desmesuradamente, enquanto o homem nem coloca tal hipótese.
Expõe-se mais ao ridículo, coisa que a mulher não faz.
Um homem não desperdiça a oportunidade de ir para a cama com a mulher do seu melhor amigo, enquanto a mulher pelo menos hesita se do cônjuge da amiga se tratar e as mesmas reticências põe, ou talvez mais, caso a hipótese lhe surja com o mais que tudo do seu homem.
E a hesitação feminina só confirma a precariedade do conceito de solidariedade.
Precário, mas existente para ela, que para ele é mero pró-forma, porque só existe na linguagem
Isto porque ela aprendeu com as sucessivas mentiras dos homens e sabe que nem tudo o que luz é oiro, enquanto aquele, que de tanto mentir se descuidou na arte, de tão primário que é, como a linguagem o demonstra, julga-se com o rei na barriga quando ela está vazia.
Eu sei que muitas mulheres dirão que estou enganado e que elas mesmo são invejosas por natureza, invejando até a solidariedade entre os homens.
Se isso que dizem, mas que não pensam, fosse verdade, esse seria o seu único engano e o seu maior erro.
Elas estão bem cientes, fruto da experiência adquirida com o comportamento dos homens, que a solidariedade decorre das circunstâncias e que, se os interesses forem opostos, esvai-se em meros segundos.
Já os homens simulam por tudo e por nada a solidariedade, mas quando o devem ser nunca o são, ao contrário das mulheres.
Ela é que é solidária, não ele.
Ele é que mente, não ela.
No fundo o que acontece é que ela aprendeu depressa as regras do jogo, enquanto o homem, de tantas vezes enganar, até a si mesmo se aldraba.
Tenho cá para mim que aquelas que me vão comentar dirão que estou enganado e que aqueles que o fizerem também o mesmo dirão, o que me dará a felicidade de pelo menos numa coisa ter conseguido a unanimidade - o meu engano.
Embora quanto ao que as mulheres disserem, eu aceite com reticências e, do que dos homens vier, eu aceite convictamente.
Como homem que sou.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

A Mulher da Limpeza (Parte II)

Tomei uma decisão irrevogável.
A partir de Março vou deixar de ter empregada doméstica. Definitivamente.
E vou ser eu que passo a assegurar as lides domésticas. Se é que já não as assegurava quase todas.
Quem me lê já antes travou conhecimento com a
mulher que manda cá em casa e, portanto, já sabe da sua competência e generosidade.
Acontece que ela não quer deixar de me surpreender com novidades que introduz na gestão do meu lar e, vai daí, acaba de decidir que passa a vir cá a casa apenas duas vezes por semana, reduzindo o seu horário para quatro horas semanais e alterando os dias de comparência para as 3ªs e 6ªs feiras. A razão que a levou a tomar tal decisão é simples, segundo me informou, quando lhe perguntei porque havia estipulado novo regime de trabalho.
Decorrido que foi mais de um ano aqui a trabalhar concluiu que não precisa de cá vir seis horas por semana, porque o trabalho é pouco, e daí que, generosamente, tenha entendido reduzir as horas e alterar os dias sem de tal me dar conhecimento.
Óbvo é que ainda tive de agradecer a sua atitude e esquecer que me tem andado a enganar ao longo de mais de um ano, para além de que mensalmente sempre acrescentou umas horas a mais na conta, porque, no seu doutoral entender, se mostravam necessarias para assegurar a boa gestão da minha casa.
Não, esqueci tudo isso e até agradeci, porque o burro sou eu, como já expliquei no
" post " em que a apresentei à sociedade da blogosfera.
Mas agora está decidido, vou ser eu a fazer tudo.
Verdade seja dita que eu só não aspirava, encerava e passava a ferro, porque até a louça e a roupa eu lavava, que ela nunca tinha tempo e eu gostava de a poupar.
De todas essas coisas que eu não vinha fazendo, só temo a de engomar, mas Deus me dê arte e engenho, que dela darei eu conta.
E sei que conto sempre com o vosso apoio técnico-teórico, mas tenho cá para mim que vou ter de reforçar a quantidade de camisas e de calças.
Se, por acaso, se cruzarem com alguém com bom ar - queriam que eu dissesse o contrário, não? - todo amarrotado, não reparem.
Sou eu.
Esperemos que me engane.
Maldito Mr. Ed.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

O Ser Social

O ser humano é um ser social, dizem os entendidos, mas eu tenho algumas dúvidas que essa verdade seja tão absoluta quanto o afirmam.
Ou seja, admito que sim, mas também estou convencido que ele tudo anda a fazer para o deixar de o ser.
Basta olhar para os comportamentos no dia a dia, na forma como nos relacionamos com todos aqueles com quem convivemos para se perceber que a nossa forma de socializar é procurando valorizar o nosso eu e desvalorizar o daqueles com quem lidamos. Directa ou indirectamente. E isso incomoda-me, porque não é a forma como eu acho que deveria ser.
No trabalho ou entre amigos, já para não falar entre meros conhecidos, por muito boa que seja a relação, há sempre pequenos nadas que vão minando os relacionamentos, obstaculizando ao entendimento perfeito. Muitas vezes por mera desconfiança sem sentido.
É até na vida a dois, contrariamente ao que seria imaginável, ou talvez não, que isso se nota mais.
Viver a dois, por maior que seja a sintonia, é, quanto a mim, dos actos mais complexos que pode haver.
Tudo porque implica com a liberdade individual, impondo limitações de direitos e deveres, o que, se numa primeira fase parece fácil de aceitar em nome do amor que une as pessoas em causa, o qual, por si só, parece suficiente para derrubar todos os obstáculos, com o decorrer do tempo, muito ou pouco, tanto dá, porque apenas depende da intensidade do mesmo, o eu individual começa a querer libertar-se das amarras, a querer mais ser mais eu e menos nós. Continua a querer o nós, mas o eu sente-se pouco. Precisa de mais.
Não é que o amor tenha esmorecido, isso que fique claro, é tão simplesmente o facto de ter ficado diferente. Já não é o "amor paixão", mas sim o amor singelo, talvez o melhor, mas aquele com o qual é mais difícil lidar. E é o melhor, na minha óptica, na medida em que é a amizade na sua plenitude, sem a irracionalidade da paixão, mas com a comunhão de dois eus.
Fazê-los comungar é que não é fácil, não só porque a intensidade do "amor-paixão" nunca é igual, o que implica que cessa em momentos diferentes, mas também porque, apesar de tudo o que há em comum, começam a notar-se aquelas pequenas coisas que , não sendo muitas vezes importantes, começam a incomodar. E o acumular delas, que um entende fazerem parte do eu próprio e o outro como violação do seu, começa a complicar o relacionamento e a sintonia começa a ser menor.
Chega mesmo a esbater-se de tal forma que deixa de fazer sentido a vida a dois e cada um segue o seu caminho.
E a culpa nunca é de ninguém ou é dos dois, mas isso pouco importa porque o importante é que não souberam viver em conjunto.
No meu caso até foi mais minha, admito, mas é irrelevante para este efeito.
Óbvio que são situações limite, já que o ideal é adequar cada um dos eus de forma a não colidirem entre si. A completarem-se no que for possível e a suprirem de outra forma naquilo em que tal não é viável.
Tal como na vida em sociedade, mas numa vida a dois, ainda com mais razão de ser.
Infelizmente, esta vida em sociedade, com uma competitividade feroz, nem sempre nos tem ajudado muito a perceber o caminho a seguir, levando-nos a erigir defesas, procurando viver cada vez mais o nosso eu e desprezando ou desvalorizando o do próximo.
Chega mesmo a ser constrangedor verificar que quem pensa mais no nós acaba a falar sózinho, quando o contrário é que seria suposto.
Eu, cá por mim, apesar de já ter errado algumas vezes, até mesmo na vida a dois, assumo claramente que prefiro continuar a pensar mais no nós do que no eu.
Não só a pensar, que fique claro, mas também a agir em conformidade.
Mesmo que erre algumas vezes.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Aviso à Navegação

Ando a ficar com a ideia que não me tenho vindo a expressar correctamente, dando uma imagem de mim que não corresponde à realidade. A ser verdade o que penso, desde já me penitencio por isso.
Cheguei a esta conclusão depois de ler os meus posts anteriores que, numa leitura mais distante, me permitiram admitir que fosse isso o que pensava quem me lê, na medida em que escrevo muito sobre os defeitos dos meus pares, parecendo distanciar-me deles.
Ora isso não é verdade.
Eu sou igualzinho à maioria dos homens que aqui andam - não a todos, o que até é bom para mim e para os outros - e quando critico o comportamento deles, não é tanto a eles como a mim.
Por outras palavras, eu sou mesmo pior que aqueles que critico.
E sou-o porque, apesar de ter alguma lucidez que me permite saber ver o que de errado fazemos, tenho essa postura tão entranhada em mim que, mesmo assim, ouso agir de acordo com o que critico.
Sou um caso sem cura, indubitavelmente.
Assumo-o com todas as consequências que isso pode ter para a imagem que de mim criaram, se é que isso aconteceu.
Serve isto por dizer que assumo plenamente que sou um homem que gosta de mulheres, não sou o paradigma da fidelidade, aprecio a sedução e sobretudo que as suas consequências sejam o prazer sexual de ambos. Sou ainda todas essas coisas que os homens gostam de ser e de ter.
Uma coisa é certa, sou tudo isso e assumo-o, que eu não gosto de mentir por acção ou por omissão.
Ficam assim desfeitos eventuais equívocos que é coisa que eu detesto.
Façam-me o favor de não me acharem melhor que os outros.