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segunda-feira, novembro 28, 2005

Mais uma que eu não percebo

Há coisas que me fazem confusão.
Desde que se começou a falar no referendo à lei do aborto e independentemente de ser a favor ou contra, o que para aqui não é chamado, como adiante se verá, tenho vindo a constatar que são os homens quem mais comenta o tema.A favor ou contra, eles pronunciam-se a toda a hora, do dia ou da noite, na televisão, na rádio e nos jornais.E as mulheres lá falam sobre isso quando eles as deixam.
A confusão aumenta na minha cabeça quando verifico que os homens que são defensores da lei do aborto sustentam a defesa das suas ideias em princípios de solidariedade com as mulheres, de compreensão do problema, de reforçar as suas vozes, na liberdade de escolha da mulher e por aí fora.
Já os que são contra a legalização, também em nome das mulheres e em sua defesa, invocam a dor delas, o direito ao nascimento dos seus filhos, a pressão que sobre elas fica quanto à opção a tomar e muitas outras razões que não vou aqui elencar que a questão não é essa.
O que me baralha e confunde é porque raio se pronunciam eles se o que está em causa tem, antes de mais a ver com elas?
Sei o que já estão a pensar e até consigo imaginar a panóplia de argumentos (legais ou outros) a que poderão recorrer para justificarem que não tenho razão no que penso e que o homem também tem o direito de se pronunciar sobre o tema, em nome da igualdade de direitos e até porque, tendo participado no acto, sobre as suas consequências também deve ser ouvido.
Admito que possa estar a ver mal, mas tenho cá para mim que a questão do aborto, sendo a todos comum, é especialmente da mulher.
Ela é a principal interessada, é sobre ela que recaiem as consequências, boas ou más, da legalização de tal prática, ela é aquela que melhor pode aferir o que está em causa, até porque tem a ver com a sua consciência de mulher.
Daí que entenda que a intervenção dos homens em tal tema deveria reduzir-se a um gesto tão simples quanto o de dar um beijo na mulher com quem têm relações no momento em que esta saísse de casa para ir votar.E bastaria isso para demonstrarem que confiavam nela e que nela depositavam a responsabilidade na decisão de algo que, antes de mais, a ela diz respeito.
Até poderiam discutir a questão com ela, caso a opinião lhes fosse pedida. Mais do que isso parece-me ser um atestado de menoridade às mulheres.
E se a preocupação é tanta com a saúde e consciência delas e com elas querem colaborar na decisão, então que perguntem à que lhes é mais querida o seu sentido do voto antes de o depositarem.E votem em conformidade com o voto dela.
É que, mal comparado, tanta preocupação com a mulher, por amor e solidariedade, leva-me a crer que todos os homens sabem a marca e tipo do produto que a sua mulher usa quando se encontra na altura do mês em que o seu corpo manifesta mais uma diferença. E a opção por A ou B foi, certamente objecto de discussão em casa...
Quantos deles, a favor ou contra, saberão a marca do que a mulher usa ou quando ocorre normalmente?
Faz-me confusão, mas não liguem.
Deve ser problema meu e estou a ver mal a questão.

sábado, novembro 26, 2005

Complicar é Vocação

Tenho como bom para mim que o ser humano tem como principal vocação complicar.
Não há nada que diga, pense ou faça, onde a complicação não apareça.
Parece que tem um complicómetro ligado e que o faz para ganhar uma viagem às Caraíbas logo que atinja o número necessário de complicações.
E esta mania de complicar já não é de agora, pois já vem dos tempos de Adão e Eva.Esses, que tão bem que estavam no Paraíso, segundo dizem, tinham logo que complicar e ir comer o fruto proibido...
Dizem, embora eu tenha muitas dúvidas quanto à história que contam.Para mim, não foi a Eva a causa de tantos males que advieram para a Humanidade por causa de uma maçã.Não, certamente que não foi ela e a história está mal contada.Sei de fonte segura que foi bem diferente o sucedido.Adão, homem de autoridade, garboso da sua masculinidade,à falta de outra mulher encantou-se por uma serpente e mandou a mulher à fruta.Eva, mulher discreta e submissa, delicada na postura, fez-se desentendida e de costas voltadas, pôs-se a comer uma maçã. Ora, Adão, logo que se apercebeu das consequências do seu acto, apressou-se a colocar as culpas todas em Eva.Esta, de costas voltadas, que até nem eram largas, arcou com as culpas todas, crente que a justiça um dia lhe daria razão.
Enganou-se,coitada, porque todos acreditaram que o mal era da maçã.
E desde então que, por mais fácil que as coisas sejam, o ser humano tende a complicar.Das coisas simples faz difíceis e as menos fáceis torna insolúveis.
O espantoso é que até se esforça por complicar, apelando a insondáveis capacidades imaginativas para o linear tornar tortuoso.
Confesso que cheguei a admitir que isso acontecia porque o masoquismo estava na essência do ser humano e, por isso mesmo, entendia que precisava de sofrer antes de alcançar o prazer.
Hoje já não penso assim. É que na maioria dos casos nunca alcançam o prazer, ficando-se pela dor de, por tanta complicarem, se ficarem pela frustração.
E este esforço inglório acontece em tudo, verificando-se tanto na utilização de um simples ferro de engomar como ao nível das relações humanas.
O primeiro, mesmo que traga instruções claras e concisas, é um verdadeiro quebra-cabeças para que comece a funcionar.Para tanto, bastaria que antes se lessem as instruções, o que tornaria simples a utilização do dito.Ora, simples é que não pode ser, pelo que não lendo as instruções o caso se complica.E se o ferro for a vapor, muito provável se torna que se tenha de comprar outro por avaria do primeiro antes de iniciar funções.
Se assim é, quando existem instruções, imagine-se o que será quando essas não acompanham o produto.Como nas relações humanas, por exemplo.Aí, à falta delas, o ser humano dá mostras de invulgar brio e trata logo de as criar. As tais, as que não usaria se estivessem à disposição.Só que desta vez até cria regras para de algum modo punir quem não as cumpre.
E cria com profusão.Ele são regras sociais, normas legais, ditames culturais e, não se dando por satisfeito, cria condutas morais.
O resultado é óbvio.
De tanto que tem para ler, de tanto que tem para cumprir, num simples encantamento nunca se alcança o prazer com tanta complicação.

quinta-feira, novembro 24, 2005

A Letra e a Palavra

Desde miúdo que sinto uma intensa atracção pelas letras.
Primeiro por elas, mais tarde pelas palavras e, depois, por umas e outras.
Não foi muito mais tarde, garanto, porque o meu entusiasmo pelas primeiras foi tanto, que bem cedo as aprendi a explorar, dando-lhes sentido, som, imagem, tudo o que lhes é possível dar, de forma a delas receber as maiores sensações.
E elas, umas e outras, sempre foram muitas generosas comigo.
Talvez porque se aperceberam da intensidade com que eu as amava, as letras, sempre se juntaram entre si de forma a que eu as sentisse o mais perto possível, que as entendesse enquanto palavra, sensibilizando-me para as potencialidades de cada uma delas, sós ou agrupadas, fazendo-me sentir a sua sonoridade, as suas nuances, os seus diversos significados, os seus nins - e também os sins e também os nãos.
Talvez porque em mim vissem tão intensa paixão por elas, acharam por bem que as compreendesse uma a uma, na sua verdadeira dimensão, no seu sentido real e no outro, aquele que não significam, mas podem querer dizer.
Ainda num gesto de ternura, talvez por que também vissem o quanto me esforçava por as acompanhar,por ser feliz com elas, e talvez também por sempre ter assumido que não o fazia por generosidade, mas sim pelo prazer que me davam, deram-se a conhecer ainda melhor e ensinaram-me o valor dos pontos, das vírgulas, juntos ou separados, e de toda a outra sinalética com quem têm um parentesco que se diz afastado, mas que acabei por perceber que, de tão próximos, até se confundem. E curioso foi que, como me ensinaram de forma diferente daquela que havia aprendido nos bancos da escola, fiquei a achar que estes supostos parentes pobres não deviam sempre obedecer a regras gramaticais, mas que deviam ajudar a exprimir o sentir dos seus parentes ricos, as palavras.Valorizando-as ainda mais, dando-lhes voz, pausas, curtas ou longas, cortando frases ou alargando horizontes, eu sei lá, potencialidades infindáveis como as têm os sentimentos.
Nunca aprendi a escrever, porque nunca quiseram isso, pelo menos como é suposto.
Mas aprendi a ler. O que dizem e o que não dizem.
E um dia fui palavra e a palavra foi minha.
Sendo que o mais curioso é que letra e palavra são do género feminino.
Talvez seja isso que me faz gostar tanto de cada uma ou de uma tanto faz, que tudo à letra se resume.

terça-feira, novembro 22, 2005

A Dúvida

Desde já aviso que hoje não me apetece escrever.
Por isso lembrei-me de aproveitar o espaço para esclarecer uma dúvida que há muito me atormenta.
E esperar que, através dos vossos comentários, consiga ver o mistério esclarecido.
Até que a razão pode ser simples, mas eu não a consigo vislumbrar.
Fico, pois, agradecido, a quem quiser colaborar.
A dúvida:
Porque razão uma mulher nunca sorri sózinha quando anda na rua?

P.S. Não vale dizerem que são a excepção....e mentir é feio.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Olha ali mais uma Besta

Eu devo ter um feitio esquisito.Pelo menos os parafusos não os tenho todos.
Então não é que sempre que vejo uma mulher carregada de sacos, acompanhada por um homem de mãos vazias, me apetece chamar besta ao tipo?
E não é que às vezes lhe lanço um olhar fulminante?
Sendo que nem importa que ela seja nova ou velha, bonita ou feia.
Ora estas minhas atitude devem provocar graves danos à minha imagem.Por um lado, o tipo fica a pensar que eu estou interessado nele, o que não é verdade, antes pelo contrário e, por outro, a dama que o acompanha cria falsas ideias a meu respeito que nem para ela olhei, trocando-a pelo acompanhante.
E sabem que nem mesmo o facto de saber os prejuízos que daí poderão advir para a minha pessoa consegue fazer com que eu altere este comportamento doentio?
É verdade.Vou ter que recorrer a acompanhamento médico, porque isto indicia falta de sanidade mental.
Sei que algumas mentes, dotadas de generosidade para comigo, já estarão a julgar que digo isto por cavalheirismo e se preparam para me mimarem com um qualquer escrito simpático.Não o façam, porque a razão de ser para a minha atitude não é de cavalheiro, mas antes do mais puro marialvismo.
(Não me levem muito a sério e, se vos apetecer, façam lá o miminho que eu gosto).
Na verdade, um homem que não se substitui a uma mulher no carregamento dos sacos, dela fazendo a sua besta de carga, é um homem que não gosta de mulheres.Não vejo qualquer outra explicação.
Eu gosto e por isso carrego sempre.E só não carrego mais, porque nem todas me confiam os sacos.
Carrego com muito prazer e mesmo que ela recuse que o faça.É porque mulher que em tais cuircunstâncias recusa a ajuda do companheiro, o faz por mera cortesia, mas o seu não é um nim.
Há é que saber interpretar.
Tal como nós elas gostam de andar sem pesos que lhes perturbe a frescura e ligeireza do andar.Que lhes deixe transparecer a sedução que colocam em cada passo que dão, sempre que de mãos livres caminham.Vá lá que levem a carteira e a sombrinha que isso não as perturba, antes lhes dá mais encanto.
E homem que não as ajuda ou não aprecia as mulheres ou pretende ser ele a andar com a elegância de uma.O que não me parece nada bem.
Se das duas uma não é, estamos perante uma besta.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Aventurei-me

Homem que é homem não resiste a uma aventura.
Vá-se lá saber porquê, mas isso é coisa que lhe está na massa do sangue.
E eu, como é óbvio, não sou diferente.Tenho para mim que até sou pior que a maioria deles.
Mal me cheira que dali pode vir uma aventura, taruz, parto para ela de olhos fechados e de mãos esticadas à procura do desconhecido.É das poucas coisas a que não consigo resistir.
O pior de tudo é que os resultados são invariavelmente maus, mas nem isso me faz ter mais tento na vez seguinte.Nada disso.Na primeira oportunidade que se segue, lá estou eu, sedento do que não conheço e sabedor que dali nada de bom virá, mas pronto para contrariar a desdita que me persegue quando sigo esse caminho. E a triste sina volta a repetir-se sem que isso me demova de voltar a tentar.
Mais uma vez assim foi.O que tem a vantagem de já nem me desiludir, pois já estou habituado.
Só que desta vez o apelo era demasiado irresistível e, mesmo que houvesse vontade de a ele fugir, o que, confesso, nem por um momento me ocorreu e nem prevejo a hipótese que alguma vez assim seja, de tão original que para mim era, nem por um segundo hesitei.
Uma aventura na cozinha é algo a que um homem, por mais retrógado que seja, não consegue dizer não.
Pensa-se no balcão da dita, nos tachos, nas panelas, nas frigideiras, nos fornos, nos pratos que são possíveis, nas inúmeras hipóteses de condimentos a aplicar e, por muito que se queira o contrário, não há como dizer não.
E lá fui eu parar à cozinha.
Como companhia levei comigo um belo lombo de porco, acabadinho de comprar no hiper mais próximo.Desembalado que ficou e depois de bem lavado, que o asseio fica bem em qualquer coisa, coloquei o avental - azul que homem só usa cor assim - e ponderei a melhor forma de preparar o manjar que se seguiria.
Diz-me a experiência que, nestas coisas de aventuras, nada melhor que seguir as regras que já dos livros constam (by de the book como dizem os entendidos), pelo que tratei de abrir o Pantagruel na página dos lombos assados.
Primeiro obstáculo: Que raio de medida é esta do "q.b"? Hummmm....modernice literária, certamente, mas ultrapassa-se já, que isto da net para alguma coisa deve servir.Google,"q.b.",enter,olha....quanto baste!Afinal era simples.
Voltemos,pois,à cozinha.
Ora bem, "q.b," de sal, pimenta, colorau....mas isso é quanto?Esta agora...Bom, homem que é homem não se atrapalha com coisa tão "comezinha".Utilizemos a nossa vasta experiência de outras lides (o vasta fica sempre bem e a experiência nem se conta) e apliquemos ao lombo do suino aquilo que nos parece bem.Meio frasco de cada, que sem paladar não fica e assunto arrumado.
Segundo obstáculo:Deixar a temperar durante o mínimo de 6 horas.Então e quando é que eu como o lombo?Ainda vou ter de o meter no forno....Usa a cabeça e a imaginação, Carlos!Ora se é para estar a temperar esse tempo, é para que os condimentos se entranhem, se misturem, para que a carne ganhe outro sabor.Se é isso, resolvo já, que sou homem de muitos recursos e a cabeça fez-se para pensar.Ponho o dobro do "q.b." e o porco fica logo apaladado.Só mesmo as mulheres é que esperavam 6 horas....cabecinhas pensadoras...
Terceiro obstáculo:Ligar o forno e esperar o tempo necessário para que aqueça por inteiro.Onde é que isto liga? O botão do gás é aqui,boa.E onde acendo a chama?Simples,acendo o isqueiro e percorro com ele o interior do forno que alguma coisa há-de dar de si.
Aiii!!!Acendeu....mas lá se foram os pelos da mão.Quero lá saber, uma mão sem pelos até incomoda menos.E como é que eu sei que o forno aqueceu por inteiro?Ora, aquece a bem ou a mal, que eu ponho a temperatura no máximo e enfio lá o lombo.A ver se ele não assa.
Quarto obstáculo:Deixar cozinhar até que o lombo esteja assado, o que pode ir confirmando picando-o, de quando em vez, com um palito, mas evitando abrir a porta.
A tipa que escreveu isto é mesmo parva.Mas que grande estúpida!Para que raio é que vou eu abrir a porta da rua?O porco e eu já cá estamos dentro...o jantar é só para mim...queres ver que ela se está a convidar?Que parvoíce.Não, deve ser erro de tradução, mais vale não ligar.O melhor é esperar uma hora e voltar cá ao fim desse tempo. E sempre evito aquela coisa do palito, que a mão ainda me dói.
Já passou uma hora.Vamos lá buscar o lombo que hoje tenho jantar de lorde.
Desliga o gás primeiro que desta vez não corres riscos.
Eh pá, vem calor cá de dentro...lá assado deve ele estar.Isto fica é com muito fumo cá dentro.Ora vamos lá pegar no "pirex" com a mão esquerda que a direita ainda está dorida....
Aiiiii porra que me queimei!Esta porcaria está quente, devia ter arranjado um pano.Agora já está.
Vamos lá a ver o lombo.
Mas onde se enfiou ele? Eu meti-o cá dentro e ele daqui não saíu.Eu nem a porta da rua abri...Fugir não fugiu.E se o tivesse feito não deixava no seu lugar uma fatia carbonizada.Ele até era grandinho...
Bom, correu mal, está visto. É melhor esquecer isto e não contar a ninguém.
Homem que é homem não morre por causa disto e um falhanço todos têm.
Primeiro há que tratar das mãos e, depois, de ir jantar fora.
Nem mais.
P.S.E tenham um bom fim de semana.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Na Cama com....

Desde que me conheço que esta é a altura do ano que menos me agrada.
Os dias são mais curtos, o Sol desaparece mais cedo ou nem se mostra, o frio começa a invadir-nos o corpo e a provocar-nos arrepios, tudo coisas desagradáveis.
Nem por isso, dirão vocês, porque um tempo assim convida à cama e esta é um dos lugares onde melhor se está.E na companhia de alguém então....
Pois, visto nessa perspectiva até dou razão a quem assim pensa.
Tudo o que convide à cama é bom.Melhor, digamos que quase tudo.Que eu também não vou para a cama sempre que me convidam.Melhor dizendo, porque ser homem a tanto me obriga, se o convite vier de mulher é rara a que vê tal pedido insatisfeito, mas se for homem ou outra coisa qualquer não vou mesmo.
Coisas de homem, o que querem?Nós temos esta conversa sempre que os convites femininos não aparecem.Julgo que é uma forma delicada de chamar a atenção para o facto, mas pondo ênfase no contrário, de forma a não colocar em crise o nosso sentimento de masculinidade.
Coisas de homem mesmo.
Dizia eu que não gosto desta época do ano, apesar do mérito de quem o contrário pensa, desde que o argumento seja aquele que antes referi, e não gosto porque, pese embora essa inquestionável virtude, esta altura do ano tem como principal defeito o de nos levar para a cama por motivos de uma gripe.E se há coisa desagradável é ir para a cama com uma gripe.
É tão desagradável que não recomendo a ninguém.
E isto dito por mim, que passo a vida a sugerir a cama como destino obrigatório em qualquer altura do ano, tem ainda mais valor.(Ocorre-me agora que este destino obrigatório não tem vindo a ser explorado convenientemente nas rotas turísticas.Ora aí está uma coisa a que me posso dedicar no futuro).
Ir para a cama com uma gripe é mesmo das piores coisa que consigo imaginar.
A pessoa está na cama, frágil, carente, quente, necessitada de aconchego e nada.Não passa disso mesmo.Tem tudo para ser feliz, mas fica-se com a boca seca de tanto esperar sem poder.
E depois dizem que a boca seca é da febre....mentiras....
Ir para a cama com uma gripe é ainda pior que o sexo virtual.Esse lá se vai fazendo, sem cama nem corpos, mas com aplicação e, às vezes, até dá um certo gozo quando a imaginação é fértil. A mim não, que essas modernices só me causam constrangimentos por falta da dita.Mas a outros até admito que sim.
E podem não acreditar, mas ando cá desconfiado que agora até inventaram essa coisa da gripe das aves, para verem se convencem o pessoal a ir para a cama com ela, a gripe.Deve ter sido um fã disso do virtual, que se lembrou que a malta indo para a cama com uma gripe, que até é das aves, se sente mais confortável.
A ser verdade isso que eu desconfio, desde já aviso que comigo não funciona e digo-o antes mesmo de ir com uma para a cama.Até porque não a tenho.
Não, comigo não dá, porque a saber que vou para a cama com uma gripe dessas, só me ocorre que vou para a cama com uma galinha.
Até admito que a outros ocorra que vão para a cama com uma passarinha.
A mim não.
E na cama com uma galinha não me apanham.
P.S.Um beijo para aquelas que estão na cama com uma gripe e um abraço solidário para aqueles que, nas mesmas circunstâncias, lá se encontram com uma galinha.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Que Chatice de Pergunta

Há coisas que não se entendem.
Por muito que me esforce não consigo compreender porque raio uma mulher tem a mania de massacrar o homem que lhe é mais próximo com uma pergunta que, ou muito me engano, lhes foi ensinada logo no berço.E fazem-na sempre e desde tenra idade àqueles que lhes são mais queridos.
Invariavelmente com o mesmo resultado, o que, se de pessoas inteligentes se tratassem, as levaria a concluir rapidamente que de uma pergunta parva se tratava.
Mas não.Insistem. E nunca se ficam pela vez única, insistem na pergunta até à exaustão, o que, como é bom de ver, deixa qualquer homem que se preze possesso.
O que bem se compreende, porque ninguém gosta de estar sempre a ouvir perguntar-lhe algo para que nenhum tem resposta .
E homem não é de ferro, a mulher é que é teimosa.
Sei que, por esta altura, estarão a pensar que não há pergunta que não tenha resposta.
Nada mais enganador. Essa é uma daquelas afirmações que se faz, invocando, para tanto e como fundamento, a proverbial sabedoria popular.
Ora, todos sabemos que se há coisa que o povo não tem é rigor científico, pelo que a expressão em causa carece de fundamentação digna desse nome.
Há perguntas que não têm resposta e pronto,está demonstrado.
Mas, dizia eu, que por muito que me esforce, não consigo perceber porque continuam a fazer aquela pergunta, tanto mais que, concedo, até sabem que o homem que lhes é querido não tem resposta alguma.
Suspeito mesmo que até sabem que eles não a têm e que só a fazem com uma insistência quase doentia, por razões de mero sadismo.Mera suspeita, reafirmo, pois quero crer que mulher alguma seria capaz de o ser. Mas lá que parece...
E, o pior, é que não há homem que não se esforce para a fazer perceber que a pergunta não tem resposta.
E tenta tudo, mesmo tudo.
Ele diz que não sabe, ele cala-se, ele berra, ele ameaça, ele às vezes excede-se, ele às vezes é uma besta, mas elas não percebem ou não querem perceber.
Insistem em ignorar a impossiblidade já científicamente demonstrada.
Aqui, no entanto, vejo-me obrigado a criticar os do meu sexo, o que faço com enorme dificuldade, embora esteja certo que esta excepção me será relevada, face aos meus antecedentes de solidariedade para com eles, tão sobejamente demonstrados ao longo dos meus últimos textos.
Desculpem lá então, camaradas, prometo não repetir, mas tenho cá para mim que a mulher, apesar de tudo, quando essa pergunta faz, não quer saber a resposta.
Acho mesmo que é o que menos lhe interessa.Só quer que da vossa imaginação brote qualquer palavra que a leve a sentir merecedora de uma qualquer justificação.
E mulher que se basta com isso não é a resposta que procura.
Digo isto, que também não está comprovado cientificamente, porque entendo que pior que fazer a pergunta em questão, é nada lhe perguntar.
E isso também acontece muito.Sobretudo quando muitas são as vezes que sem resposta fica.
Aí a mulher não pergunta.Olha.E olha fixamente nos olhos.De uma forma que só uma mulher sabe olhar e que deixa um homem reduzido a uma estranha insignificância.
É talvez das poucas vezes que um simples olhar nos faz sentir pequeninos e arrependidos, mas acontece muito ou, pelo menos, mais vezes do que uma mulher merece.
Daí que, tendo ponderado os prós e os contras, sou de opinião que mais vale responder à pergunta.
Tantas e tantas vezes quantas as que for feita
Até porque qualquer resposta é boa, em princípio.
O fim é que não me parece bom quando sem resposta fica uma mulher que nos pergunta: Porquê?

terça-feira, novembro 15, 2005

O Sexo

Pouco tenho falado sobre sexo e temo que comecem a suspeitar que tenho alguma coisa contra tão sublime acto.
Julgo mesmo que as mentes mais perversas já dirão, em surdina, que eu não tenho sexo.
Pura mentira.Tenho e sou homem, com tudo o que isso implica quanto à sua definição.
E, no que me diz respeito, ter sexo é tão importante como almoçar ou jantar.Digo mesmo mais.Dispenso um almoço ou um jantar (e até os dois em conjunto) em troca de um bom momento de sexo.
Sinto que, por esta altura, já haverá quem pense que sou uma mente depravada que, como diria a mãe do Amigo Minete Real quando a ele se referia, não pode ver uma burra de saias (vidé o seu comment ao post A Confissão).
Desde já confesso que isso não é verdade. Qualquer burra de saias passa por mim impunemente e outrotanto digo das burras que saias não usam.Podem passar até bem junto a mim que isso, por si só, não me faz pensar no assunto.
Claro que, perante a visão de uma burra mais atraente, sou capaz de olhar e apreciar a sua beleza e mesmo a atracção que de si emana, mas daí a querer ter sexo com ela vai uma grande distância.Olho apenas porque a visão do belo é sempre apelativa.Olho da mesma forma que o o faço quando aprecio um quadro ou uma paisagem....gosto do quadro, gosto da paisagem, mas não me ocorre ter sexo com um ou outra.
Admito, no entanto, que no que à burra diz respeito, um visual agradável é sempre um bom cartão de visita, mas isso, por si só, não me leva a com ela querer ter sexo.
Para mim ter sexo com alguém é muito mais do que isso e não se resume à junção de dois corpos, que entre si trocam carícias e se entregam um ao outro.
Não, ter sexo, na forma como eu concebo como ideal é muito mais do que isso.É um acto de desejo não apenas de corpos mas também resultante de uma comunhão de pensamentos, ideias e cumplicidades. O corpo é importante, concedo, mas não o vejo como o elemento determinante.Ajuda muito, mas se não houver mais do que isso, até que se faz sexo, mas não é a mesma coisa.E eu, podendo comer o lombo, não me fico pelo chupar de ossos.
Falo, claro, do sexo que prefiro e não do que sempre pratico.
Sei que, por esta altura, estarão a pensar que eu penso que o sexo ideal só é bom entre pessoas que têm um qualquer vínculo ou relacionamento mais ou menos duradouro.Puro engano.
Acho mesmo que o sexo tende a acontecer e a ser cada vez mais frequente entre pessoas que não têm qualquer vínculo, acontecendo mesmo para além de um qualquer outro relacionamento existente.
Isto porque acho que o conceito de fidelidade no relacionamento sexual está em decadência e não durará mais do que uma geração a esbater-se e mesmo a desaparecer.
Por muito que custe admitir, trata-se um um conceito que sempre visou o comportamento sexual da mulher e nunca do homem.E, pior do que tudo isso, sempre foi uma manifestação de posse do homem, para além de redutor no que ao sexo diz respeito, para as mulheres, sobretudo, embora esse seu aspecto não fosse tão evidente em sociedades arcaicas e fechadas onde o conhecimento do mundo e de terceiros dificilmente chegava.
Hoje é fácil conhecer pessoas que connosco se identificam e que nos apetecem.Há uns anos atrás só se conhecia melhor um homem (no caso da mulher) num universo de 10 ou 20 na aldeia em que vivia.As opções eram limitadas e encontrar um com que se identificasse minimamente já era bom.E anos antes mulher que namorasse com um homem e não casasse com ele já não casava com outro.
E tudo isto a coberto da moral vigente que, forçosamente, se adapta aos tempos modernos, mas sempre a um ritmo mais lento que eles, infelizmente.
Por tudo isso entendo que o universo das relações sexuais entre as pessoas tende a alargar-se e a que cada vez seja mais frequente procurar mais do que o corpo que nos apetece...seremos cada vez mais selectivos porque queremos sempre que aconteça o melhor, isto é, ter o melhor sexo possível.
Será que tenho razão? Esperemos, então,10 ou 15 anos e depois se verá.
E até lá, enquanto esperam, os que quiserem esperar, tenham muito sexo e o melhor possível.
E comam o lombo ou chupem os ossos que é tudo bom.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Há que eu sei que sim

De há uns dias para cá, tenho vindo a tornar pública a minha admiração pelas mulheres.
Admiração sincera, diga-se, não só por tudo o que aparentam, mas também por tudo o que escondem dentro das suas cabecinhas.
Até aqui nada de novo ou, pelo menos, nada que não seja encarado com alguma vulgaridade, já que ainda vai sendo frequente os homens gostarem das mulheres.
Admito, no entanto, que quem me lê, ache que tenho vindo a generalizar com excesso.
-Afinal de contas, nem todas as mulheres são tão perfeitas como as julgas, dirão alguns.Ou defines melhor aquelas que tanto respeitas e admiras ou o que escreves peca por falta de rigor.
Aceito a crítica, até porque se há coisa que muito prezo é o rigor de análise.
Vou,pois, deixar de generalizar e a melhor forma que eu encontro para o fazer, sem correr o risco de ser injusto para alguma mulher, é o de dizer o tipo daquelas que aprecio.
Melhor dizendo, o tipo de mulher que eu gosto, porque só de quem se gosta se fala bem.
Não se fala bem de quem nos é indiferente ou de quem não se gosta.
Sim, eu sei que há quem fale, mas eu não.
A agir desta forma, estou ciente que me estou a expor, mas isso é o menos importante.
Comecemos então.
Primeiro que tudo o que me atrai numa mulher é o ser natural e agir em conformidade.Reparem que disse natural e não normal, o que desde logo afasta todas aquelas que pretendem imitar a vizinha do 3º direito e ainda aquelas que não têm gosto próprio.
Por outras palavras, gosto de uma mulher que sabe o que quer e por onde vai, que toma as decisões em função do que pensa; que o diz quando deve dizer e que não o diz, muitas vezes, até porque não vale a pena.
E uma mulher natural tem um encanto único.
Depois, o que mais me atrai é a sua segurança.
Segura é a mulher que se conhece e que conhece os outros, encarando o mundo nos olhos, sem falsas modéstias ou humildades, vaidosa mas não petulante ou arrogante.
E a uma mulher segura apetece sempre dar a mão.
Gosto ainda de uma mulher com humor. Aliás, se há tipo de humor que aprecio é o de uma mulher.Entendo mesmo que só há dois tipos de humor, o das mulheres e o outro.
Admito que o seu humor chega a ser, muitas vezes, cáustico e carregado de uma ironia extrema, mas é um humor fino e autêntico, porque expressa, com uma mestria única, tudo o que lhe vai na alma.
E eu gosto de poder rir com uma mulher.
Finalmente, os olhos de uma mulher. E esta característica que tanto me atrai está no fim como poderia estar no princípio, já que é questão essencial para mim.
Gosto de ler neles, de os ver sorrir, de os ver saltitar, gosto, em suma, de uns olhos vivos, que de gente amorfa anda o mundo cheio.
E eu gosto muito de olhar nos olhos de uma mulher.
Mais? Não me ocorre mais, mas acho que reduzi substancialmente o número das mulheres a que me refiro e agora já não me podem acusar de estar sempre a generalizar em demasia.
Suspeito mesmo que fui demasiado óbvio, mas a verdade é esta e eu nunca minto, acreditem ou não.
E se acham que fui demasiado abrangente, tanto melhor; é porque há muitas mulheres assim.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Confissão

Confesso que sei que nada sei.
O que em bom rigor até devia funcionar a meu favor, que a ignorância assumida é o primeiro passo para a aquisição de conhecimentos.
Mas, vá-se lá saber porquê, isso comigo não funciona.
Porque és homem, dirão aquelas que acham que o facto de se ser do sexo masculino nos limita a capacidade de aprendizagem.
Verdade seja dita que alguma razão terão, sobretudo se invocarem como fundamento o nosso defeito congénito para nunca fazer perguntas a estranhos.Podemos não fazer ideia de onde fica a rua que procuramos numa cidade desconhecida, mas preferimos passar o dia às voltas a dar a conhecer a terceiros o nosso desnorte. Homem que é homem não se perde, anda é a conhecer novos mundos.
E, nesse aspecto (como em muitos outros), as mulheres são muito mais pragmáticas.
Em situação idêntica, sacam do sorriso mais cativante, que de tão cativante até nos chama parvos, e pergunta logo a um de nós onde fica a rua que procura. E, pior ainda, até pergunta sem precisar porque sabe onde fica.Pergunta, muitas vezes, apenas pelo prazer que lhe dá ver o papalvo que somos, desfazer-se em simpatia perante aquele sorriso, a esfalfar-se a correr à frente do carro que ela conduz até a levar ao porto desejado. E, deitando os bofes pela boca, lá vamos abrindo caminho à frente do dito, olhando de esguelha para a condutora que nos segue, com um sorriso triunfante, para gáudio dela e da amiga (sim, porque nestas ocasiões elas têm sempre uma amiga ao lado ; não é só quando vão à casa de banho).
Mas, dizia eu, o facto de me saber um verdadeiro ignorante pouco tem contribuído para que eu abra os olhos. E isso tem-me tirado muitas horas de sono.
Chego a passar noites em branco a pensar no assunto.
Não, não estou bem, sei que é isso que pensam.
Direi mesmo que não só não estou bem, como também não estou aqui bem ou, como agora se diz, não toukibem.
Ando neste Mundo enganado, disso não tenho dúvidas.
Melhor dizendo, eu sou um produto de um erro de classificação. Quando nasci fui considerado como pertencendo à classe dos mamíferos (a que pertenço com muito orgulho assumindo-me como sendo um e dos grandes), mas por qualquer razão que a ciência desconhece, entre muitas outras classificações que me foram atribuídas e que me dispenso, por ora, de enumerar, fui considerado no grupo dos animais racionais, o que, como agora é bom de ver, aconteceu por mero engano.
Ora, se eu não tenho capacidade de adquirir conhecimentos, mesmo sabendo que sou ignorante, não era essa a classificação que me deveria ter sido atribuída.Não, de forma alguma. Foi manifestamente um erro.
Mas uma vez que andei tantos anos enganado, que algum benefício possa tirar do erro que não foi meu, sendo-me, para tanto, concedido o privilégio de escolher o animal (irracional) que, de ora em diante, passo a ser.
E qual, Carlos, qual é o animal que queres ser? Perguntarão todos os que se preocupam com a minha futura condição.
Pois, muito bem, vou aqui revelar em primeira mão a minha opção.
Eu quero ser Burro, um Burro por convicção e não porque alguém assim me chama.Não.A partir de hoje serei um Burro convicto e que ninguém ouse pensar o contrário.
Chamem-me, pois Burro, que não me ofendem.
Estão é a chamar por mim.
P.S.Já agora que me seja concedido mais um privilégio.Que possa continuar a adorar as mulheres, por serem como são. E a apreciar os seus olhos também (Pedi dois privilégios?Pois, sou burro e não sei contar).

quinta-feira, novembro 10, 2005

A Mulher da Limpeza

Homem que vive só tem sempre de ter mulher em casa.
E, pior ainda, homem que vive só tem sempre de ser mandado por uma mulher.
Eu, para ser franco, sempre pensei que aquela coisa das mães nada ensinarem aos filhos sobre as lides domésticas, era coisa de reconhecimento do macho que há em cada um de nós. Filho meu é marialva, não é dona de casa; era isto que eu via reconhecido quando a minha irmã era chamada para ajudar a minha mãe nas limpezas ou na cozinha, enquanto eu ficava refastelado no sofá da sala a assistir ao último episódio do Mr.Ed e o cavalo falante.
Agora já percebi que o objectivo não era esse e que, propositadamente, eu era deixado na sala na companhia dos meus, isto é, o cavalo e o Mr. Ed que com ele dialogava. A bem dizer, a minha santa mãezinha, nessa ocasião, numa suprema ironia, já me deixava a admirar os meus (o Mr.Ed e o seu cavalo), como que me dizendo em surdina “se queres ser marialva, cavalgadura, então fala com esse, que eu vou ensinar a minha filhinha a fazer frente a animais como aquele que vais ser".
E eu, verdadeiro cavalo com sela posta, lá ficava na sala, muitas vezes gozando a superioridade que me advinha do facto de ser macho e que me permitia ficar na companhia do Mr.Ed e seu cavalo, enquanto a minha irmã a ia ajudar.
Vejo agora que cavalgadura não fui. Não, eu era (suspeito que ainda sou, mas isso é segredo) uma verdadeira besta e pior ainda, uma besta de carga..
E de carga porque andei a vida toda convencido que o facto de ser homem me concedia privilégios e, vejo agora, que andei foi a vida inteira a carregar lenha para a fogueira que me ia queimar.
Vem isto a propósito do facto de, por força da ineptidão para as lides domésticas dos machos, ineptidão que não é natural, mas sim provocada, um homem, quando só, tem sempre de arranjar uma mulher que lhe faça as lides do lar . E isto por muito que queira mostrar a sua auto-suficiência.
É assim a modos como o gato que foi capado à nascença e, apesar disso e por força da ignorância de nem saber o que lhe falta, anda a miar pelas ruas espalhando o seu fulgor pelos telhados da vizinhança, desconhecendo que a arrogância já não lhe mora entre as patas...e depois quando precisa e ela não aparece enfia-se no seu cantinho, de rabinho entre as pernas, e nunca mais alguém o ouve.
Esta coisa do gato deu-me um arrepio na espinha e fez-me confirmar algo que por momentos me ocorreu....esta coisa da analogia tem de ser usada com cuidado.
Mas adiante.
Quando constatei a minha incapacidade para gerir a casa onde vivo, contratei uma senhora de idade respeitável, com sólidas referências, a qual, com algum displicência e muita generosidade, se prontificou a fazê-lo para mim, mediante uma remuneração que entendeu fixar e não admitiu discutir.
Até aqui, fora a surpresa da displicência, tudo bem, porque até podia ser indicador de competência. Bom profissional não discute preço. É pegar ou largar. E eu peguei. E pago...para ser mandado.
Logo no primeiro dia ficou claro que não cumpria horário. Claro também ficou que vinha às horas que queria e que as duas horas diárias, três vezes por semana, teriam o seu início no respectivo dia à hora que a ela fosse conveniente.
É certo que nada me falou sobre o fim das tais duas horas, pelo que também não me queixo que elas acabem antes do que era suposto, nem que quando por algum motivo as cumpre, me cobre 3horas em vez das duas que fez.
Não reclamo porque realmente ela nunca me falou na duração das duas horas. E as dela são mais curtas.
Agora custa-me que ela me dê ordens quanto a manter as janelas fechadas, porque os pombos sujam os vidros e entra pó, quanto ao local onde devo guardar o jornal que acabei de comprar ou onde devo deixar os livros ou arrumar os cigarros. E custa-me porque ela não me perdoa uma falha e se arrumo mal o jornal nem tempo tenho de o ler que só o volto encontrar no lixo, manchado do óleo de cedro que por engano ela despejou por cima. Isso custa-me, admito.
Mas enfim, estou a pagar pelo convívio com o Mr. Ed e seu cavalo.
E de nunca ter aprendido que mulher se prepara desde pequenina para mandar. E manda sempre . É coisa que lhe fica no sangue e passa de geração em geração, sem qualquer conflito interclassista e numa surdina que se revela ensurdecedora mais tarde.
E homem que é homem e não aprende isso fica como o gato da história.

segunda-feira, novembro 07, 2005

O Desejo é coisa de Homem

Ando cá convencido que o desejo é coisa de homens. Mulher que é mulher, isto é, que não tem arremedos de emancipação, coisa que as faz agir como homens, muitas vezes com eles concorrendo na arte da caça do sexo fraco - sim, porque isto do sexo fraco todos sabemos que existe e que são elas - mas dizia eu, mulher que é mulher não tem desejo.Tem quando muito vontade de estar com aquele que lhe calhou em "sortes" e que se livre de a vontade lhe chegar quando ele para aí não está virado - também não convém quando o clube favorito perde, que normalmente eles aí perdem o desejo -...não, tem vontade quando ele tem e nunca em momentos diferentes.
É assim a modos que uma serviçal do sexo.Só que não é paga.
E, para ser franco, acho até a expressão "ter desejo" uma mariquice, assim como que uma cedência às tipas que, por força da lamechice que lhes está no sangue, julgam que despertam alguns sentimentos no seu macho de estimação...ora, até cai bem dar-lhes a ideia de se sentirem desejadas, mas na verdade o que o homem quer é "comê-las" quando está para aí virado...
Sei que muitos, e sobretudo muitas, dirão que não é bem assim que mulher também tem desejo, que isso eram coisas do antigamente, que as mulheres adquiriram um estatuto de igualdade e que agora disputam com os homens os mesmos espaços e disfrutam das mesmas liberdades.
A todos respondo que sim, mantendo nos olhos as ironias e cansaços de que falava o poeta, mas, aqui para nós que ninguém nos ouve, eu continuo a achar que mulher não tem desejo.Nunca.
Só o homem tem a capacidade de despir uma mulher com os olhos quando ela bebe um café tranquilamente levando-a ao ponto de se sentir incomodada com os esgares que ele arremessa na sua direcção ( e o incómodo é só porque não o pode servir naquele momento); só um homem consegue dirigir-se para uma desconhecida e dizer com tranquilidade e de forma ufana "comia-te toda filha" - e não digam que não são até paternalistas, benza-os Deus ; assim como só um homem consegue dizer, até acompanhado por outros, "oh filha chega aqui que eu faço-te um filho....".Tudo expressões que demonstram de forma inequívoca que o homem tem desejo.
Ora mulher que é mulher não diz estas coisas em público - ou pelo menos com tanta soberba e convicção - pelo que se não o dizem é porque não têm desejo.
Que essa coisa de uma mulher dizer tudo com um olhar ou com um sorriso é coisa de filmes.
Mulher não tem desejo e pronto.
E homem que não pensa assim é porque não é uma besta.
P.S: A propósito de uma cena que assisti num café e que me incomodou.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Subir na Horizontal ou a Queca na Carreira

Bastas vezes se ouve por aí dizer que a ascensão na carreira de fulana ou sicrana se ficou a dever a umas quecas bem (ou mal) dadas com alguém que detinha o poder de condicionar o seu futuro.
E rararamente, as mesmas línguas que tal causa apontam para a súbita progressão de uma mulher, reconhecem que o mérito profissional possa dar origem à ascensão daquelas a lugares de topo.
Ouvir disparates desta natureza é coisa que me irrita profundamente e, para mal dos meus pecados, dificilmente não reajo.
É que até sou capaz de admitir que isso acontece algumas vezes, permitindo-se, por tal via, que a progressão seja mais rápida.
Só que o número de vezes em que tal se verifica é infinitamente menor, como todos sabemos, do que aquelas em que um homem alcança lugares de topo por via de compadrios, sejam eles políticos ou de qualquer outra natureza.
E, pior ainda, muitas dessas vezes através de vias menos lícitas, prejudicando-se mesmo com tais nomeações o futuro de todos nós.
E sobre estas situações o comentário é tão singelo quanto, "é afilhado de...", "é protegido de..." ou mesmo "é do partido....".
Nunca em alguma circunstância em que se refira a súbita promoção de um homem se diz, por exemplo, "anda a dar o cu a..." ou " anda a comer o/a....".
Não deixa, pois, de ser estranha esta ligação, que tantas vezes é feita, da evolução na carreira de uma mulher ao sexo.
Demonstra, no mínimo, que impera um certo chauvinismo na análise do tema.Para não dizer pior.
Para mim, mesmo a ser verdade, porque todos sabemos que isso às vezes acontece, não vejo que o erro esteja no comportamento da mulher que a horizontal posição procurou para intermediar a sua progressão na carreira.
Parece-me, isso sim, que o homem que detinha tal poder para, por tal via, permitir que tal acontecesse, é que estaria na posição errada, sendo incompetente para o exercer.
Dele é que se deveria dizer que subiu na horizontal.Nunca dela.
Até porque, se a ascensão dela a tal se deveu, isso só demonstra a sua inteligência ao tirar proveito da incompetência profissional do fulano.
Juntou o útil ao agradável.
Bom, agradável, no caso de ele não ser também incompetente na queca, mas se também o era, como normalmente acontece - porque isto de se ser parcialmente incompetente é coisa em que não acredito - foi um pequeno sacrifício em prol de um futuro provavelmente mais frutuoso para todos nós e seguramente para ela.
É que a inteligência que revela para subir por via da posição horizontal, ainda que com sacrifício pessoal, pode vir a ser utilizada, quando o topo atingir, na defesa de todos nós.
Agora a falta de inteligência, que também aquele que do poder se aproveitou desde logo revela, é que nunca será útil a ninguém.
Sempre é um mal menor.
E a queca um bem maior.
P.S.Mas que fique claro que a todas estas situações, se verdadeiras, considero injustas.

quarta-feira, novembro 02, 2005

O Sexo na cabeça ou a Cabeça no sexo

A propósito da expulsão do blog Fantasias a 4 do Sapo, dei por mim a pensar sobre a questão da livre expressão sobre assuntos de sexo.
Na verdade, falar sobre sexo é, ainda hoje, um assunto tabu e muito gente opta por apenas abordar o tema em tertúlias de amigos ou na intimidade da cama.E muitas vezes nem isso.
Daí que se alguém se atreve a falar sobre tal tema sem inibições, por palavras ou imagens, corra o sério risco de ser considerado uma mente perversa, doentia ou até mesmo de divulgar conteúdos pornográficos.
Que o blog do Fantasias a 4 nada tinha de conteúdos pornográficos isso era bom de ver.
Comprendo, no entanto, que quem não aborda o tema do sexo de forma livre e sem tabus no seu dia a dia, tenha dificuldade em distinguir entre liberdade de expressão sobre o tema - de forma erótica, admito - e pornografia, pois que provavelmente confundirá um clitóris com um testículo.
Sim, porque mente que confunde liberdade de expressão sobre o sexo com pornografia, por força dos poucos conhecimentos que tem sobre a matéria, não utiliza expressões mais rebuscadas ou de cariz técnico.Ele é cona para ali, colhão, para acolá, cu para aqui e mama para acoli.Estas e muitas outras são as expressões mais sensuais que conhecem e que lhes saiem da boca nos convívios mais libertinos que nas suas vidas ocorrem, normalmente sentados à mesa de uma qualquer tasca com um baralho de cartas e uns copos de 3 à frente.
Mas será que aqueles que sobre o tema devaneiam, sem quaisquer preconceitos, apesar de muitas vezes o fazerem sobre a forma de anonimato - que a sociedade sabe ser dura com quem se exprime livremente e a Inquisição ou a Censura são exemplos disso - são pessoas que só têm o sexo na cabeça? Não me parece.
O que acontece é muito simples.
Há pessoas que abordam todos e quaisquer temas sem constrangimentos e sobre eles tanto falam a sério como a brincar e há outras que, por limitações diversas, entre as quais o conhecimento - o que, no caso do tema sexo, lhes deve dar uma vida sexual um bocado limitada, digo eu que não sou perito -, preferem manter o tema como tabu mesmo dentro da própria casa.
Eu cá por mim, tanto se me dá que digam que tenho o Sexo na cabeça ou a Cabeça no sexo... esteja onde estiver está muito bem e estou até disposto a usar cabeça, sexo e ambos cada vez mais e sempre que me souber bem... é bem melhor do que não ter sexo, cabeça ou ambos .
P.S: E para que não restem dúvidas vou já tratar de arranjar aconchego para as orelhas...