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sexta-feira, dezembro 30, 2005

Sejam Felizes em 2006

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Mal por Mal

Há uma expressão que me deixa sempre espantado, por muitas vezes que a ouça.
"Mal por mal, fico assim."Com ponto final e tudo.
Julgo que poucos haverão que nunca a tenham ouvido. Atrevo-me mesmo a pensar, e que me seja perdoada a ousadia, que quase todos já a terão proferido numa qualquer vez na sua vida.
Por muito que me esforce não consigo descobrir uma fase tão derrotista, tão fatalista, tão desgraçada como esta.
É frase própria de um "vencido da vida".
Algo que ninguém quer ser, mas que todos assumem que o são quando a proferem.
O curioso nisto tudo é que não só a dizem como agem em conformidade. Acho mesmo que é uma das poucas circunstâncias em que as pessoas são coerentes e consequentes. Não só falam como o fazem. Cumprem-no na íntegra.
O que nem envolve grande trabalho, porque basta não fazer nada. Ficar quieto assegura a coerência.
Pois eu acabo de tomar uma decisão de fim de ano - uma daquelas que todos os anos tomamos, mas que invariavelmente não cumprimos - e asseguro-vos que nunca mais vou pronunciar tal expressão.
De hoje em diante vou passar a usar outra que também já aí ouvi, mas que, de tão raro ser o uso, já quase esqueci.
Vou lutar por melhor, "que para pior já basta assim."
E quer-me cá parecer que esta frase se aplica a tudo na vida.
Tal como aquela que acabo de banir do meu vocabulário.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

O Natal é depois

Hoje hesitei no texto que iria aqui colocar.
Comecei por ter vontade de aqui transcrever um poema de Álvaro de Campos ou de Ricardo Reis.
Um desses que por aí vi.
Depois, achei que isso nada tinha de pessoal e que, sem demérito para Pessoa, para que valor tivesse, o texto deveria ser meu.
Não porque a escrita seja melhor, como é bom de ver, mas apenas porque o autor sou eu.
A mensagem de Natal chegou e, nalguns casos, passou, mas no meu não.
Agora é que faz sentido e, por isso, agora o escrevo.
Enquanto se prepara o Natal, durante a sua comemoração, é tudo um acto inacabado.
É o trabalho, o cansaço, são as correrias, as oferendas, mas depois, normalmente, vem o marasmo, o silêncio e tudo se repete.
Eu vejo de forma diferente. Como um quadro que se pinta.
Escolhe-se a tela, ponderam-se as tintas e as cores, os pincéis a usar. E começa-se a pintar.
Concluída a obra, descansa-se. E depois contempla-se. Só então a obra faz sentido.
E é então que se felicita e se diz o que nos oferece sobre o quadro acabado, a obra produzida.
Agradecendo-se então a quem o pintou o ter-nos proporcionado tal prazer para a vista e para os sentimentos.
O ter contribuído para se estar bem e se ser cada vez melhor.
O fazer-nos felizes.
E é nos momentos de marasmo ou de silêncio, quando se limpam os pincéis, que sabe bem sentir o trabalho reconhecido.
Daí que, hoje, eu agradeça a quem me fez o Natal Feliz, tanto que, se de quadro se tratasse e pintado por mulher, a obra e a autora seriam minhas.Pelo menos hoje.
Por isso acho importante aqui e a quem me lê prestar as minhas homenagens por terem contribuído para um Natal melhor pra os vossos.
Sejam felizes todos os dias depois do Natal.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

O Natal das Mulheres

Hoje dei por mim a pensar que o Natal, na forma como está concebido, não é para todos.
E o pior de tudo é que, apesar de haver unanimidade quanto à inexistência do mesmo para os mais desfavorecidos, que são cada vez mais, ainda ninguém reparou nessa classe de pessoas a quem o Natal nunca abrange.
Refiro-me às mulheres.
A véspera de Natal e o próprio dia devem ser dos piores momentos do ano para as mulheres.
Nos quinze dias anteriores, nos dois dias de festejos e ainda nos dois seguintes, são elas que na maioria dos casos tudo têm de providenciar para que as festividades sejam um marco histórico na consagração da família.
Da compra dos presentes, à lide doméstica, dos "avios" no "super", à confecção das refeições, das limpezas antes às limpezas depois, há uma tal panóplia de tarefas que elas desempenham quase sempre em regime de exclusividade, que deixariam qualquer homem em estado de coma profundo ainda antes da véspera das comemorações.
Mas elas resistem e, apesar do cansaço acumulado com tudo e mais alguma coisa, são elas que conseguem dar a animação aos festejos nas datas em questão.
É espantoso.
Quando tudo acaba estão extenuadas, derreadas, sem força para um mero boa noite, mas levam a nau a bom porto.
Muitas vezes sem um agradecimento ou qualquer manifestação de reconhecimento.
Sim, porque a prenda que lhe é posta no sapatinho nunca é o que merecem, apesar do sorriso de felicidade que fazem aquando da abertura do respectivo embrulho.
De facto, as mulheres não têm direito ao Natal e no período em questão limtam-se a criar condições para que outros o festejem e fazem-no com uma generosidade tão única que até parece ser um dever.
E isto parece-me injusto. Mais injusto ainda porque ninguém repara.
Ora, eu que ando disponível para colaborar com as autoridades em prol da melhoria da qualidade de vida, vou propor a quem de direito que essas festividades passem a ser comemoradas pelas mulheres noutra data.
A ideia é que a elas seja concedido um período idêntico, dois dias, nos quais poderão fazer tudo o que melhor lhes aprouver, sem constrangimentos ou obrigações.
Incluindo o sexo, claro. Como, com e sempre que queiram, pelo menos nesses dois dias.
Livres de obrigações laborais, sociais, conjugais ou quaisquer outras.
Esse seria o seu Natal. O delas.
Os dias 27 e 28 de Dezembro parecem-me bem, mas deixo a questão dos dias para elas definirem.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

A Culpa é do Sexo

Hoje dei por mim a pensar que a causa de todos os males é o sexo.
Ou melhor, a falta dele.
Este pensamento que de quando em vez me assalta, acaba de se tranformar em dogma para mim, tal foi a intensidade com que hoje se manifestou. Não o sexo, mas o pensamento.
O sexo é a causa de tudo e não há mais discussão.
Senão vejamos.
Na origem do ser humano, pese embora a questão de adão e eva que, como todos sabemos, tiveram por génese outra coisa qualquer, está sempre o sexo entre um homem e uma mulher.
Ora se está na origem, tem de estar em tudo, porque quem começa acaba ou como diz o povo na sua consagrada sabedoria, quem come a carne que lhe chupe os ossos. E este provérbio já é, de si mesmo, muito erótico, mas adiante.
Nasce a criancinha, produto do tal acto sexual entre o homem e a mulher, e a primeira coisa que se faz é dar-lhe mimos, carícias, de mamar, ajudá-lo a crescer e por aí fora. Tudo acções que podem ser consideradas como práticas sexuais, o que, estou certo, ninguém contestará.
Quando a criança passa a adolescente, a primeira coisa que lhe ocorre é a atracção pelo sexo oposto, o dar a mão, o primeiro beijo, o descobrir as diferenças do corpo humano, o perceber a forma de lidar com elas, tudo preliminares do sexo, ou já sexo mesmo.
Chega a adulto e, na sequência de uma educação só virada para o sexo, passa a orientar toda a sua vida em função disso mesmo.
Olha para o colega de trabalho e só pensa na maneira de o entalar. Se calha a ser parceira isso ainda lhe ocorre com maior insistência. Quando o superior hierárquico lhe passa ao alcance da vista só lhe ocorre cobiçar o assento e quando da entidade patronal se trata, aí só pensa em rebentar com ela.
Tudo resquícios de uma educação só virada para o sexo porque foi esse que lhe deu origem.
Ora, passando as pessoas os dias numa actividade sexual tão intensa, chegam a casa cansadas, esgotadas mesmo, de tanto sexo durante o dia.Por isso só lhes apetece meter uma "bucha" - veja-se que até na alimentação o sexo existe - e vão logo para a cama retemperar forças. Aí sem sexo, claro.
Ora quando assim é, as pessoas começam a sentir-se frustradas, deprimidas, porque nunca têm o gozo pleno, ficam-se sempre pelos preliminares que, apesar de bons, sabem sempre a pouco.
Daí que comecem a produzir menos, com as consequências óbvias para a economia e para todos nós.
Eu tenho para mim que se o culpado é o sexo, como acabo de demonstrar, também será o sexo a solução. Com benefícios para todos.
Penso mesmo propor à Assembleia da República que se debruce sobre o tema, estando eu disponível para colaborar com os deputados - hummmm - da Nação.
Entendo eu que bastaria uma pequena alteração dos factores para resolver tão bicudo -hummmmm- problema.
Se as pessoas não passassem o dia em processos de intenções sexuais e o fizessem quando é suposto fazerem, a frustração e as consequentes depressões desapareceriam. A produtividade aumentaria, a economia melhoraria e nós ficaríamos melhor a todos os níveis. Até no sexual.
No fundo tudo se resume a falar menos e a fazer mais.
Sexo, claro.

terça-feira, dezembro 20, 2005

A Noite de Consoada

Admito que quem me lê, imbuído do espírito natalício, quando passa os olhos de raspão por estes meus devaneios de mente pequena, se interrogue, por mera curiosidade, sobre a forma como eu, vivendo só, passarei a Consoada.
Pois bem, aqui estou eu para, em antecipação, vos dar conta do que será a essa minha noite, sendo certo que não deverão inferir daquilo que vos vou dar a conhecer, que essa é a forma como passa tal noite um homem que vive só.
Não o façam por muitos e bons motivos, mas sobretudo porque uma noite minha é sempre diferente. Reparem que disse minha e não comigo, porque nessa matéria nem me pronuncio, que o pudor e a réstea de bom senso que por cá ficou a tanto me obrigam.
Feito o aviso, passemos à noite de Consoada.
De há uns anos a esta parte tenho por norma comprar já tudo feito, recorrendo aos prestimosos serviços de um "pronto-a-comer" qualquer, o que se tem vindo a revelar pouco gratificante, porque, invariavelmente, acabo aborrecido por estar a comer algo requentado, por ter comprado comida a mais e porque, ainda por cima, vou ter de andar dois ou três dias a comer aquela bodega.
Para ajudar à festa, tento distrair-me em frente da televisão, que, normalmente, apresenta em todos os canais filmes sobre o Natal, que já vejo desde os anos 60, o que, como é bom de ver, estraga o resto da noite.
Este ano vai haver uma inovação.
Não compro nada feito e vou eu tratar da minha refeição de véspera de Natal.
Vou ao hipermercado amanhã, para evitar as filas de última hora, e compro uns camarões. Aproveito e compro também duas postas de bacalhau, que batatas e azeite ainda tenho cá em casa.
Compro um bom lombo de porco, que como já viram em post anterior cozinho de forma ímpar, o que me leva a dispensar o leitão e o perú, que não quero bêbadados cá em casa.
A doçaria, essa compro, embora nada de de fritos que os sonhos tenho eu.
Chegado o dia, ponho mesa para dois, tantos quantos as postas de bacalhau, que noite de Consoada nunca a passo sózinha.
Isto é, passo e não passo.
Trato de tudo como se fosse para duas pessoas e, chegada a hora da refeição, sirvo os dois pratos e vou falando de mim para mim, frente a frente na mesa e de velas acesas, num intenso diálogo que a vós parecerá um exercício de "non sense", mas que a mim me sabe muito bem, pois que é das poucas vezes que passo a noite com alguém que me acha graça.
Comemos os dois, bebemos um bom vinho e vamos saborear o café para a sala, os dois, claro, que nenhum de nós vai lavar a loiça nesse dia.
Ponho uma boa música e ou troco mais umas palavras comigo ou faço uma pausa na conversa para meditar, não sobre alguma em especial, mas sobre nada, porque é coisa que me agrada muito. Pode ser que aí também me apeteça sonhar acordado, o que também é delicioso ao som de uma boa música.
Com o tempo que demora a cozinhar os camarões, as duas postas de bacalhau, as batatas, a cear e a tomar o café, admito que, no pressuposto que tudo se iniciará por volta das 18h30, começarei a meditar ou a sonhar acordado já perto das 2 horas da manhã, não tanto pelo tempo que passo na cozinha, que será muito, mas mais pelo tempo que passo a conversar comigo.
Ora às 2 horas da manhã, começar a meditar ou a sonhar, é coisa que me puxa o sono, pelo que às 3 horas já estarei na cama, depois de um serão bem passado.
Agora que sabem, peço que não contem a ninguém, porque consta que há vagas no Júlio de Matos.
Mas acreditem que eu passo uma óptima noite de Consoada.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

O Rádio Ligado

Hoje adormeci com o rádio ligado e asseguro desde já que é coisa que não volta a acontecer.
Não que isso me perturbe o sono, que eu quando faço qualquer coisa tento fazê-la bem, pelo que se o obejctivo é dormir nada me afasta dele.Até porque gosto de sonhar e, quando durmo, não sou eu que controlo os sonhos. O que para variar é bom.
Embora goste mais de sonhar acordado. Gostos.
O que me leva a garantir que não volto a adormecer com o rádio ligado, não é, pois, a perturbação do sono, mas a perturbação do acordar.
Daquele que vos falei em post anterior.
É que eu acordo na mesma bem disposto, porque nada me perturba o reviver do sonho, olho para o lado na mesma e, encontre ou não lá alguém, continuo bem disposto, porque o que se passou durante o sono já ninguém me tira.
Agora, quando sou chamado à realidade, por um locutor de voz grave a dissertar sobre os candidatos presidenciais, isso é coisa para estragar o dia a qualquer um.
Não a mim que tenho o dom de esquecer depressa o que não interessa e, definitivamente, os candidatos a presidentes são coisas de pouco interesse.
Aliás, são eles próprios que o dizem, que passam os debates a afirmarem que não têm poderes para nada, apenas para gerarem consensos, por isso nem me podem levar a mal que diga que tal tema não me interessa.
No fundo, eles não são mais que o dono da tasca quando os bêbados não se entendem. Eu como não vou muito a tascas e evito beber em demasia não preciso do tasqueiro para nada.
Ora, uma pessoa depois de regressar das longínquas e paradisíacas paragens a que o sonho o conduziu, ser chamado à Terra com a caracterização do perfil dos candidatos, todos eles homens, é coisa que devia ser punida com a pena de prisão perpétua. Se ainda houvesse lá uma mulher, talvez que atenuasse a pena para 25 anos de trabalhos forçados. Agora só homens? Poupem-me a tão severo castigo.
Mas foi isso que me aconteceu esta manhã, fui chamado à realidade com tal tema radiofónico.
Desliguei logo, como é óbvio, o que evitou estragos no meu bom homor matinal.
Mas não volto a cometer tal imprudência.
Dormir com o rádio ligado nunca, mas nunca mais mesmo.

sábado, dezembro 17, 2005

Acordar ao Sábado

Ora cá estamos em mais um sábado.
Acordar ao sábado é diferente de acordar em qualquer outro dia da semana. Diferente mesmo do que fazê-lo ao domingo. Para a maioria das pessoas, claro, porque para alguns não é assim.
O sábado é o primeiro dia de descanso semanal e acordar num dia descanso é logo algo muito agradável.
Embora só o simples facto de acordar seja para muitos desagradável. O que faz com que, para estes, o sábado que é um dia agradável por ser um dia de descanso, comece por ser desagradável já que lhe interrompem o descanso. O que até faz sentido. Embora estrague logo o sábado, porque um dia que começa mal nunca é perfeito.
Não é o meu caso que acordo todos os dias bem disposto, feliz por acordar, já que pior seria não o fazer, na medida em que não auguraria nada de bom para a minha pessoa. É a teoria do mal menor, que não sendo das melhores também não é das piores.
Acordo, abro os dois olhos e situo-me, porque normalmente venho de sítios bem longínquos.
Habitualmente sorrio-me, não ainda a pensar no sábado que tenho pela frente, mas a recordar-me do que se passou enquanto dormia. E nem fico triste pelo facto de tudo se ter passado enquanto dormia, porque pior seria que nada se tivesse passado.
Depois de alguns momentos a desfrutar as sensações que tive enquanto dormia, olho para o lado para ver se está alguém. Não o faço logo que acordo, por uma razão bem simples e que mais não é que uma postura de auto-defesa. Eu explico.
Se olhasse para o lado mal abrisse os olhos, o mais provável seria constatar que ao meu lado não dormiu ninguém, o que diminuiria o prazer que a seguir teria quando pensasse no que aconteceu e, dita-me o bom senso, que não limite os prazeres que o meu imaginário me concede.
Olho, pois, para o lado, só após já ter gozado tudo e constato então que não está lá ninguém.
Aí já não me incomodo porque até estou bem disposto e penso, então, no que estou a fazer na cama sózinho, depois de uma noite tão bem passada e com mais um dia pela frente.
E levanto-me logo bem disposto.
Se acontece estar alguém ao lado, o que, confesso, é raro, agracio quem aí está com o prémio por tal noite me ter proporcionado. O que também me deixa bem disposto.
Pelo que ao sábado eu acordo sempre bem.
E nos outros dias também.
Pelo que já sei que amanhã vou acordar bem disposto
Só ou acompanhado, logo vejo quando acordar, que não quero estragar o sono.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

O MSN

O ser humano é um animal de vícios e é bem verdade.
Na primeira oportunidade em que tomamos o gosto a algo que nos agrada, ficamos logo viciados, dependentes, obcecados.
É assim tanto com as coisas como com as pessoas.
Sabe-nos bem um cigarro e vamos por ali fora até ficar viciados.
Apreciamos o sabor de um café e ele passa a fazer parte dos nossos hábitos diários, de tal forma que não passamos sem ele para acordar, para ficar bem dispostos ou mesmo para tornar perfeita uma refeição já de si agradável.
No domínio dos chocolates e dos doces, para quem gosta, é o mesmo, havendo quem ponha em risco a sua saúde.
E por aí fora, no domínio do consumo das coisas
Com as pessoas é o mesmo.
Conhecemos alguém que nos agrada mais do que o normal e começamos a tentar passar o maior tempo possível com ela.
Gostamos de um sorriso e andamos sempre a tentar vê-lo de novo.
Cruzamos os nossos olhos com outros e tudo fazemos para que eles se voltem a cruzar muitas vezes.
E enquanto isso nos sabe bem, é só nisso que pensamos.
A net, nessa matéria, veio ainda potenciar mais esse estado de dependência.
Depois de duas ou três conversas mais longas, em que a empatia se mostra, cria-se logo o vício.
Muitas vezes as conversas são banais, outras nem tanto, mas ao fim de uns dias de as pessoas se conhecerem, quando simpatizam, cria-se uma tal dependência que uma ausência momentânea nos provoca um invulgar sentimento de perda.
O curioso é que as pessoas mal se conhecem, mas a ausência do outro torna-se dolorosa, porque o vício de o termos ao alcance do teclado se entranha rapidamente.
E depois imaginamos logo coisas que tenham levado à quebra da relação. Será que disse algo menos adequado? Será que existia mesmo? Será que lhe aconteceu alguma coisa?
Sei lá, analisamos uma imensidão de possibilidades para uma ausência muitas vezes justificada por um mero café fora de horas.
E estes sintomas só se manifestam em alguém que se vicia. Pior, vicia-se em algo que nem conhece, nem sabe se existe. Vicia-se numa imagem que criou, que muitas vezes nem corresponde à realidade. para o bem ou para o mal, que admito que muitas vezes até seja melhor do que alguma vez se concebeu. Mas deve ser raro.
Eu, que ando aqui há pouco mais de um mês e que tenho uma lista de MSN com pouco mais de 6 pessoas, já sinto a falta.
Não estou viciado, admito, mas quase, porque se não troco um bom dia que seja já o dia não me corre tão bem.
Ora isto não é normal e eu até sei que não.
Mas pensando bem, não vindo grande mal ao Mundo por isso e se é tão saboroso porque não me hei-de viciar?
E nem é um vício grande...e que fosse.
Vou continuar com o MSN para já.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Carta ao Pai Natal

Ex.mo Senhor
Professor Doutor Pai Natal

Antes de mais desculpa tratar-te assim, porque acredito que tenhas muitos outros títulos de maior importância, só que eu nunca ouvi falar neles, mas como vivo em Portugal, país em que há muitos doutores e onde o mérito se mede por aí, pela cor do cartão partidário e pelo lugar que se ocupa, achei por bem chamar-te Professor Doutor, que tenho cá para mim que, pelo menos, sabes mais do que muitos que eu conheço.
Até porque cá, se não te chamar qualquer coisa que soe, ninguém te dá valor e eu acho que tu és importante.
Pelo menos para mim és, tanto que nunca te escrevi, porque às pessoas importantes não se escreve, que elas são demasiado distintas para nos lerem. É uma das regras cá do meu país, que eu não compreendo, mas aceito porque deve ter sido feita por alguém que percebe dessas coisas.
Por isso desculpa estar a escrever-te directamente e não para o teu Chefe de Gabinete, como se faz cá, mas desta vez eu gostava que tu me lesses mesmo e temi que o teu serventuário não desse importância a esta minha missiva.
Há muitos anos que ando para te escrever e tenho vindo sempre a adiar porque acho que haverá outros que têm coisas de mais interesse para te dizer ou pedir, mas este ano achei que, apesar de continuar a pensar o mesmo, devia fazê-lo, não fosses tu achar que eu não te escrevia porque era mal educado. Não, eu até acho que sou educadinho, mas há muita gente por estas paragens que confunde o silêncio com a falta de educação. E vê lá tu que até acho que ficar em silêncio evita que, algumas vezes, se seja mal educado. Acho mesmo que um silêncio diz tanto, tanto, que às vezes até me faz doer os tímpanos. Mas também me faz doer a voz quando o silêncio é meu.
O que interessa é que desta vez te escrevi para te esclarecer tudo de uma vez por todas e agora já ficaste a saber porque nunca o fiz antes, se é que não sabias já.
O importante é que saibas que acredito em ti, Pai Natal e que por isso te escrevo.
Agora que nos conhecemos e que sabes que contas com a minha admiração, não levarás a mal que te faça um pequeno reparo. Desde já te peço desculpa, Pai Natal, mas eu nunca consigo calar o que me vai na alma quando aos outros diz respeito, que quanto a mim resolvo eu, mas isto é coisa que já anda há muitos anos às voltas cá dentro na expectativa que tu a resolvas. E até hoje nada. Portanto, aí vai.
Não podias arranjar maneira de seres tu a definir quem recebe o quê e não andares tu a distribuir as prendas em função dos pedidos?
É que assim são sempre os mesmos a receberem as prendas que querem, porque muitos há que não têm dinheiro para o selo da carta e por isso nada recebem ou ficam com os restos, o que não me parece justo.
Se pudesses fazer alguma coisa por isso, agradecia.
Pronto, já te escrevi e não será por falta de carta minha que não passarás por Portugal.
É que neste país, à beira-mar plantado, a culpa é sempre dos outros e um dia destes ainda me acusam de ele estar neste estado por eu não te escrever.
Um Feliz Natal para ti, Pai Natal.
P.S.Tenho que pedir uma prenda? É obrigatório? A sério? Engraçado, é como cá....anda sempre tudo a pedinchar...mas cá ainda não é obrigatório ou pelo menos disfarçam. Bom, mas se tem de ser... dá-me lucidez que é o que me faz mais falta. E se te sobrarem, o que eu não acredito porque há muita gente a precisar, manda-me também uns mimos, que cá em casa nunca são demais.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Mais ou Menos

Tenho cá para mim que, vá-se lá saber o porquê, andamos com uma forma estranha de exprimir as nossas ideias.
Isso nota-se, sobretudo, quando falamos e o exemplo do uso do mais e do menos, do muito e do pouco, ilustra o que digo.
Ele é mais isto, ela é menos aquilo - o contrário também é verdadeiro -, mas o mais e o menos andam sempre na nossa boca, parecendo mesmo que tudo deve ser sujeito a comparação.
Ele ou ela são muito ou pouco qualquer coisa, dando a ideia que tudo deve ser visto em função do peso ou quantidade. E por aí fora.
A maleita manifesta-se de tal forma que agora até já se diz que fulano ou fulana é "poucochinho", como se isso quisesse dizer alguma. "Poucochinho o quê?
Mais, até já chegamos a dizer que " é muito poucochinho" ou " é menos poucochinho", num verdadeiro exercício de quantificar e comparar o nada, porque o conteúdo da expressão é zero.
Aliás, nessa matéria de falar sem rigor, a utilização do mais e do menos, do muito e do pouco contribuem de forma decisiva para evidenciar que se fala sem pensar. O que muitas vezes é grave.
Uma das expressões muito utilizadas e que me deixa sempre a pensar se não haverão segundas intenções em quem a profere é " fulano é muito honesto".
Quando alguém de diz isto penso logo que está a falar com ironia e que colocou o "muito" para eu, ser de limitações pensantes reconhecidas internacionalmente, consiga apreender o verdadeiro sentido das suas palavras.
E,como é óbvio,esboço logo um sorriso de cumplicidade, daqueles que diz "desta vez percebi a brincadeira e a minha mãe teria muito orgulho em mim se me visse a entender uma ironia à primeira".
O pior é que a minha mãe teria mais um desgosto, porque o que recebo em troca, de quem tal expressão proferiu, é um olhar fulminante e um endurecer de voz para exprimir "Não tenhas dúvidas.Olha que falo muito a sério! Tens alguma coisa contra ele?"
Aí fico ainda mais atrapalhado. É que pelo ar com que isto me foi dito acabo de ser repreendido, mas o "muito a sério" usado na frase, faz-me crer que de brincadeira se trata.
Quando fico neste impasse tomo a atitude que considero inteligente, de colocar a cara de parvo que Deus me deu em estado de "stand by", cerro os lábios e espero que o meu interlocutor diga mais qualquer coisa que me faça perceber as suas palavras.
Normalmente recebo como complemento um "és burro? Tens dúvidas?", isto porque a minha cara é dotada de grande expressividade do dom que Deus me deu, obra perfeita como ele quis que fosse.
Certo é que prefiro ouvir isto a ser acusado de injúria ou difamação por causa de um sorriso cúmplice.
Mas acreditem ou não tenho dificuldades em perceber como é que alguém pode ser muito honesto ou muito sério, para não dar outros exemplos.
É que eu fiquei sempre com a ideia que uma pessoa é honesta ou não o é. É séria ou não o é.
Em matérias destas, como em muitas outras, a questão não se vê em função da quantidade ou da graduação. É ou não e está tudo dito, que isso do mais e do menos só serve para confundir.
Aliás, acho mesmo que pode ser grave confundir as coisas nessas matérias.
Mas o problema deve ser meu e por isso nem me atrevo a falar na questão.
Ocorreu-me agora que um destes dias também vou querer saber o que será isso de ser muito homem ou muito mulher...quem assim é deve ter mais que o homem e a mulher, o que nalguns casos até pode ser útil.
Agora que penso nisso até fico com pena de ser só homem e não ter um muito a ajudar.

terça-feira, dezembro 13, 2005

A Previsibilidade dos Homens

Há uma expressão que as mulheres pronunciam com invulgar frequência e que, homem que sou, nunca ouvi os da minha espécie comentar. Vá-se lá saber porquê, os meus "compinchas de pila", evitam debater o assunto. E não acredito que seja por desprezo do que elas pensam, nalguns casos será, admito, mas acho que que na maioria das vezes eles não meditam nessa frase porque se sentem incomodados com ela e fazem que não a ouvem ou que é coisa sem importância.
A espressão até é bem simples e seria bem fácil de contestar se algum fundo de verdade não tivesse.
" Os homens são tão previsíveis... ". Isso mesmo, é esta a expressão demoníaca, com reticências e tudo; que o uso destas num discurso verbal tem um efeito demolidor.
E a reacção de todos nós é um simples sorriso e nunca se vislumbra um esgar de contestação.
Sorrimos e calamos.
O pior de tudo é que nem entre amigos ou perante os nossos botões, por uma vez que seja, nos questionamos sobre as razões da nossa previsibilidade.
O que é grave, porque assim nunca surpreendemos. O que só nos prejudica.
Agora que penso nisso, ocorre-me que a previsibilidade do homem, para o bem e para o mal, deve ter origem na sua preguiça para aperfeiçoar o seu comportamento perante o sexo oposto, dando como adquirido que sendo irresistível a mais não é obrigado.
É assim, a bem dizer, como pensar com os pés e calcorrear a calçada com a cabeça a fazer sapateado nos paralelipípedos.
Isso nada teria de mal se, sempre que uma mulher verbalizasse essa expressão, ela não a dissesse com um misto de desprezo e comiseração. Mas diz. E para tornar mais dramática a situação, diz em quase todas as ocasiões em que um homem a tenta surpreender.
Se um homem a leva a jantar a um restaurante com velas e à beira-mar, ela sabe logo que ele quer ir tomar o café lá a casa.
Se lhe oferece uma ramo de rosas sem ser numa ocasião especial, ela já sabe que ele quer tomar café lá em casa. Se for numa ocasião especial, ela já sabe que ele quer tomar café lá em casa.
Se lhe oferece um perfume, ela já sabe que ele quer cheirar o perfume, depois do café lá em casa.
E por aí fora.
Realmente somos muito previsíveis.
Mas eu vou surpreender.
A partir de hoje vou dispensar o jantar, as flores, o perfume e o café.
Levo-a logo para casa.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

A Igualdade entre os Sexos

Tenho andado cá a pensar que as mulheres andam enganadas com a ideia de lutarem pela igualdade de direitos entre os sexos.
E tenho cá a impressão que a ideia de as convencer a despoletarem essa luta partiu de um homem. Só pode mesmo ter sido.
Aliás, suspeito mesmo que terá sido das poucas vezes em que as mulheres foram enganadas por um homem. Essa, em que as convenceram que deviam estabelecer uma guerra em prol da igualdade de direitos.
Certo é que, tão bem enganadas foram, ainda hoje continuam a defender tal princípio.
E os homens riem-se, abanam a cabeça em sinal de concordância e até publicam leis e regulamentos, criam comissões e outras coisas do género, para demonstrarem a sua solidariedade com tal princípio.
O curioso é que, as mulheres, que por norma nunca se deixam enganar, ao contrário do que afirmam à saciedade, neste caso da igualdade dos direitos, foram atrás da conversa.
Eu tenho cá para mim que a luta, para ser correcta, devia ser em sentido inverso.
Antes de mais, começaria por lhe dar outra denominação, porque o nome desde logo evidencia o reconhecimento de uma subalternidade que, como adiante se verá, não existe.
Eu, se mulher fosse, recusar-me-ia a lutar por outra coisa que não fosse a igualdade de deveres entre os homens e as mulheres. E toda a luta se desenvolveria em torno disso, de forma a que, imputando-lhes deveres iguais ou equiparados, os direitos viessem a ser os mesmos na medida do possível, já que isso nunca seria alcançado em pleno.
É a mesma coisa, dirão vocês, sendo que dizer nunca se alcança a igualdade deveres, como lhe chamas, ou de direitos, tanto dá, é desde logo uma atitude demissionista. Uma declaração de derrota, que nos recusamos a assumir.
Pois eu penso exactamente o contrário e, perante tal princípio, só posso concluir que quem as enganou foi genial na farsa.Um verdadeiro farsante é o que foi.
Cá para mim, as mulheres já há muitos anos que têm direitos iguais e, se não os têm, é porque os não exercem. Tenho mesmo para mim que ainda que esses direitos não lhes tivessem sido reconhecidos por lei, eles já decorriam da sua dignidade como seres humanos.Daí que a questão seria sempre fácil de resolver. Bastaria um simples abrir e fechar de pernas ( que de olhos poderia ser mal interpretado) para que os homens se apressassem a reconhecer a legitimidade dos mesmos. Que se há coisa a que homem cede é à visão de um abrir e fechar daquelas sem eles.
Mas não, a luta não é essa.
A luta das mulheres deveria ser para conseguirem que os homens tivessem os mesmos deveres. Que tivessem como obrigação chegar a casa e fazerem as refeições, passar a ferro, ajudar nos trabalhos escolares dos filhos, dar-lhes atenção, que passassem a ferro, sei lá eu, um conjunto de obrigações que, por norma, são da exclusiva responsabilidade da mulher em cada lar.
Sendo que, que mesmo que conseguissem essa igualdade de deveres, por partilha dessas obrigações, ainda assim elas nunca a alcançariam de forma plena e ficariam sempre prejudicadas.Daí que antes tenha dito que essa igualdade só seria alcançada na medida do possível.
É que só às mulheres é possível gerar dentro de si um filho, só às mulheres é possível dar à luz uma criança, só às mulheres é possível amamentar uma criança. E, por isso mesmo, os homens nunca teriam os mesmos deveres e seriam sempre beneficiados.
A não ser que a lavagem de loiça e de roupa e ainda o passar a ferro começassem a ser obrigação exclusiva dos homens.
Acho que mesmo assim ficavam beneficiados.
Mas, ainda assim, defendo que a luta deve ser pela igualdade de deveres e não de direitos.

sábado, dezembro 10, 2005

A Erva Daninha ou a Tempestade que se Adivinha

É espantosa a nossa forma de estabelecer e aprofundar as relações humanas no dia a dia.
Oa anos passam e cada vez estamos piores, cada vez somos mais desconfiados, cada vez tememos mais o desconhecido, aquele que de nós se aproxima.
E devia ser o contrário, porque a experiência que a vida nos dá, deveria fazer com que as ervas daninhas fossem reconhecidas através de um simples olhar.
Mas não, afectados uma ou outra vez por essa praga, passamos a reagir sempre como se de maligno se tratasse o que nos aparece como novo, sem cuidar de conceder o benefício da dúvida.
Assumimos como bom que quem connosco se cruza e estabelece contacto é porque de nós alguma coisa quer ou é a nós que nos quer.
O curioso é que eu nem nisso vejo mal, porque se algo quer de mim é que tenho algo para dar e se é a mim que me quer, até me sinto lisonjeado.
Compreendo, no entanto, quem assim não pensa, porque por aí há muita erva daninha que nos quer mal. Não por alguma razão em especial, apenas porque é daninha.
E as pessoas de bem defendem-se. Com todas as armas que têm, o que como se sabe não é bom, porque há sempre danos colaterais e perdem-se coisas maravilhosas.
Como o falar de tudo abertamente, sem constrangimentos, do mim e do ti, sem nada ocultar, com o à vontade da transparência de um olhar, com o desprendimento das ondas do mar.
Perdem-se momentos de partilha, de cumplicidade, de fazer meu um segredo teu e teu o meu, ou não, porque apenas nos apetece estar mais próximos. Eu ser um pouco do ti e tu um pouco do mim. Como o mar e a areia. Ou os peixes, tanto dá.
E tantas outras coisas que podiam ser nossas e não são. Ou sermos um do outro e não somos.
Tudo porque tememos que a tempestade nos colha em pleno mar alto.
O pavor do naufrágio impede-nos de navegar. De deixar o barco ser abraçado pelas ondas em todo o seu esplendor. De andar sem rumo e sem norte. Ao desnorte.
Eu gosto de andar à deriva e vou continuar assim.
Porque gosto e por achar que a tempestade, se vier, não terá forças para mim. E se forças tiver para me derrubar, mais força terei eu para me levantar e voltar a navegar
Nem a erva daninha medrará no meu jardim. Pela mesma razão anterior.
Compreensivelmente as pessoas não pensam assim, porque para não o fazerem basta um pouco de bom senso.
O tal que eu não tenho.
Mas tenho pena que estejamos a ficar tão tristes e tão fechados em nós próprios.
Será por isso?

De Cara Lavada

Como já terão reparado, hoje apresento-me de cara lavada.
É sábado, estamos perto do Natal, pelo que entendi que se justificava amenizar o impacto dos meus pouco ajuizados pensamentos, dando um ar mais lavadinho a este meu local de devaneios.
Lavei, pois, a cara e limpei os ouvidos.
Para ser franco nem fui eu que lavei e limpei, porque até para isso sou incapaz.
Quem me deu dignidade à apresentação foi a
Sutra, a quem quero aqui deixar os meus agradecimentos e prestar público reconhecimento.
Agora sempre tenho um ar mais limpinho.
A todos que me lêem agradeço a condescendência que têm para comigo.
À Sutra deixo um Beijo.

P.S. Está a decorrer um leilão para apoio a crianças necessitadas, o qual é promovido pela Sutra através de um passatempo. Passem por lá e participem. As crianças merecem.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

O Sabor do Divino

Há algo de divinal no acto de saborear. Seja o que for.
De todos os cinco sentidos talvez seja o que menos é falado, o que algum significado terá.
E, no entanto, com ele lidamos com a mesma frequência com que olhamos, com que cheiramos, com que tocamos e com que ouvimos.
Mas do paladar pouco falamos a não ser quando à mesa nos sentamos. Talvez também ao balcão, mas pouco mais do que isso.
Eu, não sendo pessoa de grandes comezainas, nunca desenvolvi tal sentido à mesa ou ao balcão. Gosto de saborear um bom prato ou um bom vinho, é óbvio, e aprecio o sabor de um bom bacalhau, de um bom pedaço de cabrito, de um tinto soberbo (ou branco, mas mais tinto). Mas, se fosse só aí que desse uso dele, estou certo que estaria com o mesmo muito subdesenvolvido. E não é o caso, até porque lhe dou importância fundamental.
Aliás, estou em crer que, quando ao homem foram atribuídos os 5 sentidos (porque como é sabido a mulher foi presenteada com 6 - e bem, digo eu ), não foi intenção de quem nos concedeu tal dádiva, que ele apenas fosse utilizado à mesa. Até porque na altura nem havia mesas.
Não, ele foi concedido para ser usado em tudo, tal como os outros 4 sentidos (ou 5 nas pessoas sobredotadas antes referidas).
O que acontece é que o ser humano, insatisfeito por natureza, tudo faz para mudar o que é perfeito. E faz isso com todos os sentidos.
Quer ver mais e acaba a não ver nada, ou a não ver o que deve.
Para se poupar ao tacto, arranja outros ou cria mecanismos que lhe evitem o ter de tocar nas coisas e acaba por perder a sensibilidade nas mãos e no corpo.
Incomoda-se com os cheiros e cria ambientes inodoros, o que chega a ter consequências desastrosas, porque acaba a cheirar uma bosta de boi na convicção que de uma fragância de amor se trata.
Por tanto querer evitar o ruído acaba por não ouvir o que deve e mesmo por ouvir o que não deve.
E com o paladar faz o mesmo. Na mira de aperfeiçoar, tanto faz que qualquer dia nem o tem. Aliás, até já começa a ter substitutivos das refeições, que é ainda onde hoje ele se mantém, pelo que a curto prazo até aí irá desaparecer.
Eu, cá por mim, vou evitando todas essas modernices. Tentando sempre tirar o maior proveito de todos os sentido que me foram concedidos, ciente que deles tenho de aproveitar o máximo, já que só tenho cinco.
Sendo que do paladar tento extrair o maior sabor, para o compensar de tão desprezado ser no meio dos outros sentidos.
Ele, agradecido, retribui-me.
Sim, porque sentido que é, sabe sentir o meu gosto.
Daí que em tudo o que faça ele me conceda o dom de a ele o apreciar.
O que me dá grande prazer, confesso, já que fiquei a saber que tudo o que existe tem sabor e que ele é sempre diferente. Mais doce ou menos doce, mesmo agridoce, amargo ou picante,sei lá, uma infinidade de paladares, de sabores que, com maior ou menor intensidade, me deliciam a cada momento.
Mas há um sabor que é único. É mesmo indescritível. Tal como o amor.
É certo que nem todos o apreciam, uns porque não têm sabor e outros porque o que têm, não é aí que reside. Mais infelizes os primeiros que os segundos, embora nestes seja mais uma questão de gosto, pelo que, para eles, de infelicidade não se trata.
Eu, aceito sem reservas que é o meu prazer sublime. Aquele que mais aprecio, aquele sem o qual não passo.
Adoro saboreá-la. Não sei descrever o sabor e para o caso pouco importa. Até porque sendo único não há termo de comparação, o que dificulta a sua apreensão. A vossa, porque eu sei que gosto e quando gosto não preciso de perceber porquê.Gosto e pronto. E gosto muito.
Apenas vos posso dizer que saborear uma mulher é divino. Tão divino quanto diferente é saborear cada uma, porque todas o são.
Sabe a tudo o que é bom com intensidade infinita. E de ponta a ponta tem uma imensidão de sabores todos diferentes e todos de intensidade incomensurável.
É inexplicável de tão bom que é.
Pensem em algo divinal.
Conhecem o sabor do divino?
É mesmo esse.

terça-feira, dezembro 06, 2005

As Extra

Com inusitada frequência sou confrontado com a questão das relações extraconjugais.
Seja em conversas de café com amigas e amigos que, por mera benevolência para com o meu fraco pensar, se mostram interessadas em ouvir a minha opinião, quer por notícias que me chegam aos ouvidos pela comunicação social e, também, por via de acesas discussões com outros da minha espécie.
A primeira coisa que me ocorre quando tal pergunta me fazem, mesmo que de homem provenha a questão sacramental, é que alguém lhe anda na ideia.
E isso faz-me sorrir, não de desdém, atenção, mas porque acho que é alguém que mais feliz procura ser. Ou é o feliz que busca, o que também me parece bem, por maioria de razão.
Logo a seguir e quando no tema começo a pensar, aquilo que logo me ocorre dizer é que se de “extra” se tratam, não tenho nada a obstar, pelo contrário, até sou todo a favor, pois que a expressão em si, desde logo induz a que a resposta seja afirmativa. Prefiro sempre o que tem extra.
Entre ter algo ordinário e algo “extra”ordinário, é óbvio que prefiro o do “extra”.
Entre comer o fiambre normal ou comer um fiambre extra, claro que prefiro o segundo.
Até aqui a resposta parece óbvia para quem quer que seja.
O pior vem depois, quando começo a aprofundar o raciocínio. Aí é que a coisa se complica. Não só por limitações próprias do pensador, mas também por força da complexidade da questão.
Por isso desde já alerto que aquilo que eu penso sai da cabeça de alguém pouco avisado e só deve ser seguido por pessoas que chegarem às mesmas conclusões por suas próprias cabeças.
Não vá alguém ainda dizer que teve as ditas relações “extra” por minha causa. Ainda se fosse comigo...agora com terceiros, poupem-me a isso.
Eu tenho como bom para mim que sempre que alguém disso se lembra e tem interesse na resposta, é porque se trata de alguém a quem já alguma vez lhe apeteceu fazê-lo. E fez ou não fez, que a mim já pouco interessa enquanto coisa de terceiros for, mas ficou com qualquer coisa a roer a consciência. Por fazer ou não fazer.
Ou por ambas o que é bem pior.
Assim sendo e porque privilegio o bem estar individual, entendendo mesmo que o bem estar social, enquanto soma de todas as individualidades, será sempre potencializado em função do bem estar de cada um, sou de opinião que, se em consciência alguém as deseja, as deve ter. Sem mais .
Sem quaisquer tipos de constrangimentos. Apenas porque o desejou.
Sei que argumentarão que há a questão da fidelidade, dos remorsos, do meu (minha) mais que tudo, das regras sociais, sei lá, uma imensidão de contras.
A todos poderia rebater aqui, mas nem o vou fazer, porque o meu objectivo não é convencer ninguém.
Digo apenas o que penso.
E penso que os argumentos contra não fazem sentido algum, porque todos eles partem de uma concepção de posse entre seres humanos que eu abomino.
Não deixando de ser curioso que só são, realmente, condenadas pela sociedade as “extra” das mulheres. As dos homens não, essas, antes pelo contrário, são merecedoras de elogios, na melhor das hipóteses, velados.
Para mim, a questão é tão simples quanto isto. Se lhes ocorre ter e desejam ter que as tenham e não compliquem.
Que essa coisa da consciência em tal matéria é um pau de dois bicos que nos foi metida na cabeça na primeira lavagem ao cérebro que nos fizeram. Sim, na Escola e na Igreja.

Ao que acresce que tenho sérias dúvidas que um desejo frustrado não seja pior para todos os envolvidos. Pelo menos para quem o vê frustrado é, porque do acumular de frustrações dizem que vem mal para a sanidade mental.
Vivam, pois, bem com isso, que pior é viver sem isso e com o desejo na cabeça.
Até porque já temos tantas coisas más com que viver e conseguimos tão poucas das que desejamos...
Agora se não querem “extra” nem as desejam, então não percam tempo com o assunto.

P.S. Presumo que este post só vá ser comentado por quem já pensou no assunto face ao que eu digo no final. De forma a não limitar a capacidade de comentar de cada uma das leitoras às quais nunca tal pensamento ocorreu, sugiro que pensem e desejem ter uma extra comigo. Assim sempre ficam habilitadas a comentar e eu não sou acusado de discriminação. Quanto aos meus leitores que também nunca pensaram no assunto, sugiro que pensem e desejem a.....sim essa. Agora também já podem comentar.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

O Poder da Imaginação

Hoje apetecem-me estrelas.
E não será o facto de o céu estar encoberto que me impedirá de as ver.
Porque essa coisa do céu encoberto é só para alguns. Para mim não. E não é só para mim, o que é óptimo.
Quando quero vejo as estrelas. E quando quero vejo o mar, que combina muito bem com as estrelas. E o rio também.Talvez mais ainda. Aliás, hoje é o rio que combina com as estrelas.
E que bem que a sua contemplação em conjunto me fará sentir.
Eu sei que não é coisa de homem, isso de contemplar as estrelas, de as ver para além das nuvens.
Já o rio sim, é de homem contemplar as suas margens, as suas águas.O mar nem tanto.
Mas o que hei-de fazer? Não deixo de ser homem por gostar das estrelas e por as conseguir ver para além das nuvens.
Deixo? Não acredito e com o que os outros pensam posso eu bem.
E há dias em que me apetece mesmo ver as estrelas e contra isso não há nada a fazer.
Quero as estrelas e o rio e vou ter.Sim, o céu estrelado e o rio. Um e outro. Ambos. Juntos.
E nem vou sair de casa.Vou vê-los aqui da minha janela, apesar de um e outro não serem daqui visíveis.
Aliás, já vejo.
O céu está lindo assim!
E o rio também, com os reflexos das estrelas e com aquelas luzinhas ao longo das margens.
Gosto especialmente daqueles banquinhos colados ao muro que o protegem das pessoas e da ruela.
Aqueles que ali vão, saídos do restaurante à beira-rio, estão animados. Antes assim.
Que bem que me está a saber. Deve estar frio, mas nem o sinto.

Vou ficar aqui mais um bocado.

domingo, dezembro 04, 2005

A Charada dos Sentidos

Há coisas que fazem sentido.
E outras que não o fazem.Pelo menos para nós.
Há coisas que são sentidas.
E outras que nem por isso.
Sendo que não raro é que o sentido não o faça.
Daí que já pouco me interrogue, no âmbito do meu dia a dia, se faz sentido o que digo ou se é sentido o que penso.
Hoje foi um desses dias.
Acordei pela manhã, seguro do meu sentido, mas logo pensei no de ontem e sem sentido fiquei.
Imagino que por esta hora, alguém que perde o seu tempo passeando os seus olhos por estas linhas, já estará a dizer que o que escrevo não faz sentido algum, o que serve por dizer que, finalmente, fica demonstrado que eu perdi o sentido.
E confesso que nem eu sei, mas posso assegurar que hoje sinto e ontem não sentia tanto.
O que a mim me faz sentido, por um lado, sendo que, por outro, nem tanto.
Há dias em que o mar me faz um sentido imenso e, quando páro para pensar no acto de o contemplar, acabe por concluir que não faz sentido algum.
Dificuldade acrescida tenho quando necessário se torna escolher o sentido.
O sentido do sentido ou o sentido cá sentido?
Confesso que, quase sempre, confrontado com tal dilema, me ocorrem uns versos de Miguel Torga:

"A vida é feita de nadas,
De grandes serras paradas
à espera de movimento
De searas onduladas pelo vento..."

E admito que sigo o vento.
O que não faz sentido algum.Mas é sentido.
Daí que nunca tenha percebido esta confusão entre o sentido racional, o da lógica, e o sentido do coração, o da emoção.
Provavelmente por isso, ao fim destes anos todos, ainda privilegio o segundo.
Porque o primeiro não me faz sentido ou apenas porque confundo o meu sentido.
Daí, também, que sempre me fez sentido que se diga muitas vezes que ela não faz sentido.
Ela, a mulher.
E se sentido não faz, o que reconheço, a mim faz-me sentido.
Assumo mesmo que gosto de ter o seu sentido.E que quero ser sentido por ela.
Aceito que digam que nada do que eu disse faz sentido,mas o que digo não deixa de ser sentido.
Basta-me isso.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

O Mau Feitio

Não deve haver, hoje em dia, expressão mais utilizada sempre que alguém diz qualquer coisa menos agradável aos ouvidos de quem a profere que "tens mau feitio".
E o "mau feitio" do outro serve para tudo.
Serve para desculpar algo que se fez de errado ou não se fez, serve para justificar-se a si mesmo pelo erro de que se é acusado, serve até para desvalorizar o autor da crítica.
Por outras palavras, dizer que quem nos critica tem "mau feitio" é uma forma de afastar as culpas, excomungar os fantasmas e colocar o ónus nos outros.
E, dizer que alguém tem "mau feitio", tem até algo de carinhoso, sendo mesmo normalmente acompanhada de um sorriso, pelo que a expressão pode ser utilizada a cada momento e em qualquer circunstância, o que até facilita.
Aquilo que mais me espanta é que a expressão, que inicialmente se destinava a ser utilizada numa roda de amigos, como é bom de ver, se alastrou como uma praga e é hoje utilizada nos mais diversos contextos, incluindos os profissionais, sendo que neste últimos a sua utilização me chega a provocar urticária ou algo parecido, porque me "coço" e "torço" todo para manter a calma.
É que se há contexto onde a mesma nunca deveria ser utilizada é mesmo o profissional, onde as relações humanas são primordialmente de competência, exigência e rigor, pelo que a introdução de tal expressão que não tem qualquer razão técnica ou científica que a sustente, num discurso justificativo é, por si só, manifestação de uma confusão mental que, na minha opinião, seria o bastante para ser motivo irrefutável para o despedimento sem justa causa.
Mas isso digo eu que também devo ter mau feitio.
Não sei com que frequência esta expressão é utilizada nos países mais desenvolvidos, se é que neles existe, mas tenho para mim que a taxa de utilização em Portugal nos deve colocar entre os maiores consumidores da mesma.
O curioso é que a utilização da expressão, que a bem dizer nada diz, pois que se trata de um mero juizo de valor sem qualquer validação científica, porque de consideração subjectiva se trata, consegue desencadear, por si só, mecanismos de solidariedade extraordinários.
Basta alguém dizer directamente a outrém que tem "mau feitio" para que uma chusma de cabeças concordantes a apoie, de sorriso nos lábios, claro, que convém não afrontar, não se vá dar o caso de o possuidor de tal defeito acabar por ter razão. O que normalmente acontece.
Sendo que aquele que é acusado de mau feitio, por mais razão que tenha, fica com um estigma que o acompanha para a vida, não pelo bom senso que revelou ou pela decisão acertada, mas porque o "mau feitio" que lhe foi aplicado sempre servirá de desculpa para outros, com a vantagem de nem terem sido eles os primeiros a dizê-lo.
Eu ainda não percebi porquê, mas sempre que ouço alguém dizer que fulano ou fulana tem mau feitio fica logo com boa impressão do visado(a) e com má impressão de quem o diz.
E uma primeira impressão conta muito.
Ocorrem-me agora duas questões que nunca me tinham surgido.
Já repararam que a expressão é na maioria das vezes dirigida às mulheres?
Porque será?